Perfumes vendidos como afrodisíacos não funcionam, diz estudo

Um estudo descartou a eficácia em seres humanos de duas substâncias, a androstenediona e o estratetraenol, utilizadas para preparar perfumes com supostos efeitos afrodisíacos.

Esse tipo de essências não têm nenhum impacto notável no grau de sedução das pessoas, segundo o estudo publicado esta quarta-feira (08/03) na revista Royal Society Open Science.

As duas substâncias são vendidas como feromonas artificiais desde a década de 1990, embora não exista nenhuma prova científica de que realmente funcionem no ser humano. A androstenediona e o estratetraenol são comercializadas em soluções ou concentrados com a promessa de aumentar a atração sexual dos compradores.

As feromonas são substâncias químicas que desempenham um papel-chave no comportamento sexual dos animais. São excretadas pelo corpo e reconhecidas por animais da mesma espécie.

Os cientistas australianos que elaboraram o estudo expuseram 94 heterossexuais (43 homens e 51 mulheres) às duas substâncias durante um dia e a um perfume do tipo no dia seguinte. Após cada exposição, os participantes observaram fotos de rostos "neutros" (com o cabelo escondido e sem maquilhagem), nos quais tinham que determinar o sexo, pelo que as feromonas deveriam facilitar.

Também pediram que avaliassem o grau de sedução ou o risco de infidelidade sentido ao visualizarem pessoas do sexo oposto em fotos.

"Os resultados concordam com os outros estudos experimentais que sugerem que a androstenediona e o estratetraenol têm poucas possibilidades de desempenharem feromonas humanas" que afetem o homem, indicam os autores do estudo.

Os investigadores não excluem, entretanto, que feromonas sexuais possam afetar a evolução da sedução ou da infidelidade, embora considerem "pouco provável" que se tratem das duas substâncias estudadas.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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