Tina Souvenir e Roselyn Silva: duas visões, dois traços, uma raiz

Tina Souvenir e Roselyn Silva apresentaram, na passada terça-feira, a sua parceria num cocktail na Rua Castilho, em Lisboa. O atelier da estilista são-tomense Roselyn Silva recebe agora também os trabalhos da angolana Tina Souvenir tornando-se, assim, um ponto de convergência de duas visões e dois traços, tendo os tecidos e a inspiração africana como pontos comuns.

As estilistas cruzaram-se, casualmente, num shopping de Lisboa e acabaram por chamar a atenção uma da outra. Roselyn, sem receios, apresentou-se e elogiou o look de Tina, que retribuiu. Foi aqui que tudo começou. Uma história simples, mas com futuro.

“Esta parceria não foi programada. Aconteceu e está a ser muito bom. A Roselyn é fantástica. Identifiquei-me logo com ela e estou a ver os resultados deste trabalho porque ela corre atrás”, confessa a estilista angolana.

A alta-costura de Tina Souvenir junta-se ao estilo mais casual de Roselyn Silva num só espaço, no coração de Lisboa, onde ambas as criações podem ser exploradas e adquiridas.

Juntas no Lisboa Design Show

No Lisboa Design Show o trabalho das duas saltou à vista, numa colecção que procurou transmitir o atrevimento de África. “Hoje, África é o grito da liberdade que está a vingar no mercado internacional”, explica Tina, cujas criações foram confeccionadas pela jovem estilista são-tomense, já com experiência no mercado português.

“Participei nas primeiras edições do Lisboa Design Show quando ainda existiam poucos estilistas africanos. Mas é óptimo ver que hoje já existem tantos. Fiquei muito emocionada e entusiasmada com os desfiles das minhas colegas são-tomenses porque me revi na atitude delas, na confiança e na força.”, conta Roselyn.

Quanto à competitividade, prefere encará-la como um copo meio cheio. “A competitividade é óptima para que possamos evoluir, para sairmos da zona de conforto. Temos que inovar constantemente, saber o que fazem os nossos pares e o que podemos fazer de diferente. Com esta onda afro acabamos muitas vezes por andar a beber muito uns dos outros e, por isso, temos que criar a nossa identidade. É essa a minha preocupação.”, explica Roselyn.

Por sua vez, Tina sublinha as características do mercado em Angola e as suas mudanças. “A moda já não segue só um padrão. Vemos uma coisa na passerelle, mas as próprias pessoas já têm a liberdade de criar. A moda é mais ousada. A inspiração africana e os seus tecidos também contribuem para essa ousadia.”

As escolhas e os porquês

Desafiada a destacar uma das peças da colecção de Tina, Roselyn escolhe um vestido longo, cintado, com detalhes de pedraria e renda.

“Escolhi esta peça porque foi a mais ousada que fiz, dentro da colecção da Tina. Fiz muitas peças especiais, mas esta fez-me trabalhar cortes diferentes e métodos diferentes de corte. Adoro cortes elegantes e cintados porque sou muto feminista. Este vestido fez-me sair da minha zona de conforto e, por isso, o escolho.”

Tina escolhe uma saia comprida como uma das suas favoritas na colecção de Roselyn.

“Gosto muito de roupas largas, principalmente nos dias quem que não me quero produzir muito. Nesses dias pego num vestido largo, uma saia ou numa pantalone e ajusto a parte de cima. Nesse sentido, esta peça enquadra-se muito no meu gosto.”

 

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