Burnout no trabalho. "Algumas pessoas começam a faltar com frequência, outras são incapazes de produzir"

Não existem dados gerais sobre a incidência do burnout ou esgotamento em Portugal, mas estudos focalizados em áreas profissionais como a Saúde e Ensino dão conta de taxas de incidência que rondam os 30 e 40%. Falámos com Daniel Sousa, psicólogo e diretor da Clínica ISPA, para conhecer os sinais de alerta desta perturbação psicológica.

O que é o burnout? 

O burnout é geralmente associado a uma perturbação psicológica que pode ter múltiplos fatores psicológicos e físicos e que está associado mais especificamente a contextos laborais.

Quais são os sinais de alarme?

Há vários sinais de alarme. Por exemplo, uma pessoa expressa vulnerabilidade quando sente que os seus recursos internos não são suficientes para lidar com as exigências do trabalho. Alguns sinais são mudanças bruscas de humor e desesperança. A exaustão, cansaço acumulado e dores são alguns dos sintomas físicos.

É uma doença estigmatizada?

Pode ser, no sentido em que os problemas da pessoa podem ser confundidos com outros aspetos, como por exemplo, falta de motivação para o trabalho.

Como é que se previne o burnout?

A prevenção pressupõe um conjunto de ações que dão informação às pessoas sobre como lidar e prevenir o fenómeno dando também ferramentas específicas.

Qual é a importância da família na gestão da doença?

Tem uma importância muito grande para sinalizar e servir de rede de apoio sempre que necessário.

O grande desafio das empresas é ter em sua posse dados que lhes mostrem que os ganhos de implementação de programas de riscos psicossociais suplantam em grande medida os custos
Qual a realidade portuguesa ao nível do burnout?

É mais alta do que se pressupõe geralmente. A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho tem dado muitos preocupantes. Temos enormes fenómenos de presentismo e absentismo nas nossas instituições. Algumas pessoas simplesmente começam a faltar com frequência, outras estão presentes mas incapazes de produzir ou de ser ativas no local de trabalho. A realidade atual é muito negativa com enormes custos pessoais e financeiros para as empresas.

As empresas deveriam ter programas de gestão de riscos psicossociais?

Podem e deveriam. O grande desafio das empresas é ter em sua posse dados que lhes mostrem que os ganhos de implementação de programas de riscos psicossociais suplantam em grande medida os custos. Há dados internacionais que demonstram esse benefício.

Qual deve ser o papel da entidade empregadora quer na prevenção, quer na identificação destes casos?

Pode ter programas de avaliação e apoio psicológico acessíveis ao colaborador.

Há profissões que aumentam o risco de burnout?

Há algumas profissões que podem ter maior risco, mas é um fenómeno que ocorre nos mais variados contextos laborais.

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artigo do parceiro: Nuno Noronha

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