O que fazer quando o consolo é o nosso último recurso

Quando algo corre mal e não há forma de remediar a situação, existe sempre esta forma de alívio. E ainda bem! Teresa Marta, coach para a coragem e especialista em bem-estar, explica porquê.

O consolo é uma capacidade socioemocional muito ligada à empatia humana e que envolve dar chão ao outro quando, por alguma razão, as coisas não correm bem. Para tal, temos de conseguir percecionar as emoções alheias e perceber que a resposta indicada é oferecer o nosso colo, fazendo com que se sinta acolhido, seguro e compreendido. O consolo exclui juízos morais.

Significa, simplesmente, estar com e estar para. Ajuda a aliviar o sofrimento emocional ou físico de alguém proporcionando-lhe conforto. De notar que o consolo é uma capacidade emocional de duplo sentido, que deve e tem de funcionar também para nós mesmos. Quando não nos conseguimos consolar a nós próprios, temos mais dificuldade em aferir a necessidade de consolo dos outros.

Nesses casos, para nós, o outro surge como alguém que exagera e que não quer fazer um esforço real para ultrapassar um problema. O curioso é que existem também situações, chamadas de evitamento de contacto com as dores emocionais pessoais, em que as pessoas têm uma enorme apetência para consolar os outros, focando-se nisso e evitando assim questionar-se e mudar-se a si mesmas.

Precisamos mesmo de consolo?

O principal benefício do consolo é aliviar a dor emocional de quem o recebe. Serve, portanto, para criar uma base de segurança, esperança e de diminuição do sofrimento do outro. No entanto, existe uma fantástica dicotomia no ato de consolar alguém. O consolo é bidirecional provocando sensações de prazer e bem-estar também em quem o pratica.

Esta é uma das razões pelas quais a terapia ou o coaching em grupo funcionam tão bem. Estamos sempre a receber, mesmo quando estamos a dar. Por isso nos aproximamos tanto das pessoas que sofrem, mesmo quando não simpatizamos especialmente com elas. No dia a dia, aprenda a lidar com elas. Construa uma armadura contra as frustrações desnecessárias.

Ter alguém que nos console, quer o faça de forma proativa quer a nosso pedido, é, pois, fundamental para diminuir o nosso nível de incerteza, para nos fazer sentir mais seguros, para nos dar a sensação de não estarmos sós e, no fundo, para aumentar o nosso bem-estar emocional e físico. Numa palavra, o consolo faz bem à nossa saúde e não há que ter qualquer dúvida quanto a isso.

O consolo pode ser treinado?

A maior ou menor capacidade de consolar os outros está sobretudo ligada à educação, à socialização e à cultura onde crescemos. Embora seja uma capacidade com a qual nascemos, a verdade é que tem de ser praticada, o que começa por acontecer por cópia daquilo que vemos ou não fazer na infância, uma vez que as vivências deste período tendem geralmente a ser muito marcantes.

Se uma criança cresce numa família onde o consolo não é usado, podendo até ser criticado, mesmo nascendo com essa capacidade, vai assumi-la como algo que não deve praticar. Isto significa que a capacidade de consolar pode ser reforçada positiva  ou negativamente pela aprendizagem gerada na inter-relação familiar e na socialização com os outros.

Quem precisa de consolo?

O consolo, à partida, não faz mal a ninguém. Contribui de forma fundamental para a existência de famílias e sociedades emocionalmente saudáveis. A psicologia demonstra a existência de uma relação direta e positiva entre o ato de consolar e o bem-estar subjetivo das pessoas, quer de quem o oferece, quer de quem o recebe. O consolo é uma emoção quente.

Preenche a vida de sensações positivas, de entendimento e de aceitação das dores emocionais dos outros. Deve ser usado em todas as situações onde a pessoa está a passar por um processo de dor emocional, como em situações de luto, desemprego, acidente, doença, perda de bens, insucesso profissional ou escolar, divórcio, perda do sentido da vida e/ou ainda solidão.

Quando é que o consolo não deve ser usado?

O consolo não deve ser usado quando não é honesto nem sincero, quando resulta de uma motivação egoísta para obter alguma recompensa, como o reconhecimento social. Também não deve ser usado para eliminar a culpa ou para descartar responsabilidades quando algo corre mal. Bem como para manipular o outro ou conseguir vantagens que de outra forma não teríamos.

O consolo também não deve ser usado em demasia na infância, como tende a suceder em muitos casos. Se consolar o seu filho sempre que ele fizer algo de errado, ele irá crescer com a convicção de que sempre que as coisas correm mal está lá alguém para o salvar, o que de facto nem sempre acontece. Para corrigir eventuais erros, veja também como agir quando o seu filho não se comporta como deveria.

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