A depressão é uma doença muito mais comum do que à partida se poderia pensar, afetando, em média, de acordo com as estimativas internacionais, uma em cada cinco pessoas ao longo da sua vida.

A depressão caracteriza-se por sentimentos de cansaço, de falta de esperança, de baixa autoestima, de insónia e de dor física. As consequências da depressão podem evidenciar-se em vários campos, nomeadamente na vida pessoal, na vida sexual e vida profissional. A falta de tratamento desta doença pode ter consequências graves e levar, em última instância, ao suicídio, uma situação mais comum do que aquilo que, à partida, poderá pensar. A procura de apoio especializado é essencial.

A relação entre os problemas sexuais e a depressão

Ao afetar vários aspetos da vida quotidiana, a depressão acaba por também condicionar e/ou perturbar a vida amorosa e a vida sexual. A sensação de não conseguir manter uma rotina normal causa, muitas vezes, o distanciamento entre parceiros, levando a pessoa com depressão a sentir-se pouco desejada ou amada. Vários estudos científicos internacionais demonstram, nas últimas décadas, que duas em cada três pessoas afetadas pela depressão perdem o interesse pelo sexo.

Este desinteresse é (um dos) resultado(s) de desequilíbrios químicos no cérebro, que podem ser acompanhados por falta de energia e/ou por um ganho de peso de perturbações do sono. Por outro lado, a falta de desejo sexual pode ser uma consequência de tratamentos antidepressivos, pelo que é importante avaliar o impacto destes medicamentos na vida sexual de cada paciente, de forma a proceder a alterações na terapêutica, se for caso disso, alertam especialistas.

As principais consequências da depressão na vida sexual incluem:

- Nos homens, a falta de motivação e o cansaço podem ser associados à falta de libido e a problemas de ereção.

- Nas mulheres, a falta de atividade cerebral tende a ser associada ao baixo interesse pelo sexo e muito frequentemente à dificuldade em atingir o orgasmo.

O cérebro é um órgão altamente sensível, sendo neste órgão que a estimulação sexual começa. A depressão influencia os neurotransmissores responsáveis pelo desejo sexual, causando desequilíbrios na resposta ao estímulo sexual. Este estado depressivo acaba por afastar o casal com o passar do tempo. A revista The Atlantic chamou, num artigo, "recessão sexual" a este fenómeno, que tem vindo a atingir um número crescente de casais ao longo das últimas décadas, afirma a publicação.

Como é que se podem tratar os problemas sexuais e a depressão

Tratar a depressão é sempre o primeiro passo para ultrapassar o problema, uma vez que à medida que esta condição é curada, o desejo sexual acaba por ser recuperado. Existem formas de contornar os efeitos secundários dos medicamentos antidepressivos na sua vida sexual, sem comprometer o tratamento da doença. Discutir este assunto com o seu médico é fundamental, uma vida sexual saudável é importante para o bem-estar pessoal e pode ajudar a encarar a depressão de forma mais positiva.

A maioria das pessoas com depressão pode notar melhorias na sua condição quando adopta uma rotina de exercício físico, tal como desporto ou dança, pelo que se a falta de vontade sexual, muito comum nos depressivos, não lhe permite uma vida sexual normal, comece por desenvolver outras atividades com o seu parceiro, de forma a manter uma relação próxima entre o casal. A depressão ou o seu tratamento podem não ser, no entanto, a única causa dos seus problemas sexuais.

Outros problemas de saúde, como a diabetes, a esclerose múltipla e a tensão arterial, podem influenciar a sua vida sexual. Os tratamentos com recurso a anti-epiléticos e/ou anti-hipertensores ou antidislipidémicos também pode causar perturbações, bem como o consumo de álcool, de canábis, de opiáceos e de anfetaminas. Falar abertamente com o seu parceiro e o seu médico sobre os seus problemas sexuais é o principal passo para a sua resolução e para uma vida sexual saudável.

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