Os benefícios do sexo para a nossa saúde física e mental são já sobejamente conhecidos mas, a partir de agora, há mais um motivo para investirmos nos momentos íntimos a dois. Um estudo realizado por um grupo de iunvestigadores da Universidade George Mason, em Fairfax, nos Estados Unidos da América, revelou que a atividade sexual leva, por norma, os que (não) o praticam a um aumento da perceção do sentido da vida.

A investigação analisou um grupo de estudantes universitários que aceitaram responder a um questionário diário durante três semanas sobre a frequência e qualidade da sua vida sexual e os seus estados de humor, que poderiam ser apenas descritos como positivos ou negativos, em quatro níveis diferentes que iam do entusiasmo à felicidade, à satisfação, à excitação e/ou ao constrangimento, à deceção, à ansiedade e à tristeza.

Os resultados deste estudo internacional, que foram inicialmente publicados na revista científica Emotion, revelaram que, nas situações em que havia envolvimento sexual, havia também uma melhoria do estado de humor e da perceção do sentido da vida que se mantinha até ao dia seguinte. A maioria dos entrevistados, cerca de 64% dos inquiridos, era comprometida, estando, média, em relações que duravam entre um a cinco anos. No entanto, os investigadores concluíram também que os efeitos da atividade sexual nos níveis de humor percecionados pelos participantes não eram maiores nas pessoas que estavam comprometidas.

Uma conclusão que mostra que, afinal, o sexo que acontece no contexto de uma relação romântica pode não ser mais gratificante do que o casual, como têm relatado outros estudos. Na opinião do coordenador deste trabalho científico, o investigador Todd Kashdan, o humor positivo e o aumento do significado de vida após o sexo está relacionado com o desejo de pertença e validação inerente à natureza humana.

"O sexo também pode ser entendido como um sinal de aceitação e inclusão", referiu mesmo o especialista em sexualidade numa entrevista à revista norte-americana Time. Uma tese que o sexólogo português Fernando Mesquita também corrobora. "A produção de várias substâncias neuroquímicas, durante o sexo ou após o orgasmo, como é o caso da oxitocina, provoca uma maior sensação de bem-estar", garante o especialista.

"Além disso, a partilha de momentos de intimidade, com alguém que se ama e deseja, será certamente um aspeto positivo para fortalecer a autoconfiança e o bem-estar", afirma ainda Fernando Mesquita, recordando alguns benefícios do sexo já comprovados anteriormente. Embora ainda não possamos generalizar os resultados do estudo realizado pelos investigadores da Universidade George Mason, há conclusões que se podem tirar.

Na opinião de muitos especialistas, este trabalho de investigação científica poderá ser, todavia, um bom ponto de partida para novas investigações acerca desta relação entre o sexo e o sentido da vida.. "Para clarificar o estudo, é importante recolher uma amostra aleatória que contemple não só um maior número de participantes, como de vários estratos sociais, localidades, idades, entre outros", sublinha o sexólogo português.

As (muitas) vantagens das relações sexuais

O sexo faz bem mas esta tese não é nova. Contudo, existem muitos outros benefícios com evidência científica que se aproximam destes resultados, nomeadamente aqueles que respeitam aos efeitos da atividade sexual no bem-estar emocional. Segundo o sexólogo Fernando Mesquita, "além de ajudarem na estabilidade emocional e na diminuição do stresse, as relações sexuais satisfatórias também fortalecem os laços do casal".

Tal sucede "graças à libertação de oxitocina, que pode atingir o seu pico de produção durante o sexo e que é capaz de bloquear memórias negativas, aumentar a confiança do casal e fortalecer o vínculo afetivo", sublinha o especialista. De acordo com algumas investigações científicas levadas a cabo nas últimas décadas, o sexo também promove um sono reparador e, em muitos casos, ajuda a diminuir as enxaquecas.

"A oxitocina libertada durante o sexo, além de promover a tal sensação de bem-estar, relaxa e também pode funcionar como um analgésico natural, ajudando no alívio de problemas como as enxaquecas", explica. Outras investigações asseguram que também pode melhorar a nossa aparência. "Alguns estudos afirmam que, no sexo, existe a libertação da hormona DHEA [desidroepiandrosterona], que aumenta a produção de colagénio e retarda o aparecimento de rugas. Outros defendem que a atividade sexual pode ser uma boa forma de controlar o peso, já que durante o sexo podemos perder cerca de 300 calorias", sublinha.

O sexo ajuda ainda a proteger a nossa saúde cardíaca, como alertam muitos cardiologistas. Num estudo realizado na Austrália, que analisou a atividade sexual de homens de meia-idade, durante um período de 16 anos, os investigadores concluíram que aqueles que tinham sexo, duas vezes por semana, tinham um risco muito menor de sofrer um ataque cardíaco, em comparação com aqueles que faziam sexo uma vez por mês ou menos.

Texto: Sofia Santos Cardoso com Fernando Mesquita (sexólogo)

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