A seleção de genes antes do nascimento pode ser garantia de uma vida mais longa – em décadas –, mas também ajuda a reduzir em mais de metade as hipóteses de uma criança desenvolver alguma forma de cancro, sugere um novo estudo publicado pelo Daily Mail.

Usar ferramentas de edição de ADN, tais como o CRISPR-CAS9 (do inglês Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats) em células do óvulo e dos espermatozoides poderia “tornar-nos a todos mais resistentes às doenças da velhice”, afirmou Roman Teo Oliynyk, investigador-chefe da Universidade de Auckland, explicando que isso se faria “alterando dezenas ou mesmo centenas de genes que promovem as condições para o aparecimento de doenças cardiovasculares, Alzheimer ou artrite”.

De igual forma, esta técnica controversa poderia ajudar bebés em risco, nomeadamente os que têm um histórico familiar favorável a este tipo de transtornos. Mas o maior benefício, nas palavras do especialista, ocorreria nas doenças oncológicas. Oliynyk diz que um feto em risco reduziria para metade as probabilidades de contrair cancro e, dessa forma, aumentaria em até duas décadas a sua esperança de vida.

Mais: o especialista defende que, no caso dos genes que potenciam o risco de sofrer de diabetes tipo 2 ou ser alvo de derrame, se o potencial doente tivesse sido submetido à edição de genes antes do nascimento, teria sido menos suscetível a eles.

A tese não é consensual. Outros especialistas defendem que a edição do ADN para reduzir o risco de contrair uma doença pode tornar o indivíduo mais suscetível a outras. E referem ainda que a saúde precária é muitas vezes desencadeada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais, sendo estes últimos difíceis de controlar.

A geneticista Helen O’Neill, da University College of London, concorda: “Não acho que estejamos lá e não tenho certeza de algum dia lá chegarmos”, declarou O’Neill à New Scientist. Os efeitos colaterais constituem outra preocupação para os médicos e investigadores. Ali Torkamani, do Scripps Research Translational Institute, da Califórnia, diz que “muitas vezes o que há é uma troca – reduz-se o risco de doença coronária, mas pode ter-se aumentado a possibilidade de vir a contrair outra doença”.

De uma perspetiva prática, também não é claro que genes vai um embrião herdar até estar formado, nem a que ponto pode ser tarde demais para a edição de DNA.

Porque é que a edição de genes é controversa? Alguns especialistas sugerem que a edição pode ser usada para remover genes nocivos antes de as crianças nascerem, mas há o perigo de ser utilizada para fazer bebés à medida – já que permitiria escolher a cor dos olhos ou a altura da criança. Se a compreensão científica da genética evoluir, a tecnologia pode um dia ser usada para inserir genes que codificam certas competências, como a habilidade musical e a inteligência. Os críticos dos chamados “bebés à medida” argumentam ainda que só os povos ricos poderiam ter recursos a essas tecnologias ou que as seguradoras de saúde teriam argumentos para rejeitar pacientes que não fossem sido submetidos a uma seleção genética por correrem maior risco de doença.

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