Há muitos educadores, pais e professores, que consideram que as crianças obedientes são as que seguem, sem questionar, as instruções que lhes são dadas. Mas será seguro educar os filhos para serem obedientes? Onde está a linha que separa a obediência da pura submissão?

Carlos Pajuero, psicólogo, pedagogo e blogger do jornal Hoy, frisa que há quem considere que as crianças obedientes são também crianças muito bem-educadas. É verdade que há miúdos de convivência fácil e agradável, mas, questiona Pajuero, não deveremos preferir crianças independentes àquelas são seguidistas, conformistas e dependentes do reconhecimento exterior?

As crianças não nascem obedientes ou desobedientes, submissas ou críticas. São os adultos, interagindo com elas durante a infância e adolescência, quem que lhes vai indicar o caminho da obediência, o que é o mesmo que dizer o caminho do pensamento crítico, ou o da submissão.

Uma criança obediente é capaz de acatar o que outro lhe pede, porque essa pessoa goza de um reconhecimento da respetiva autoridade. Uma criança obediente tem espírito crítico. Não questiona as pessoas a quem obedece porque elas lhe demonstraram disponibilidade e afeto, afirma o psicólogo.

Já a criança submissa é a que se submete ao domínio de outra pessoa, porque esta lhe ensinou a ter medo ou criou nela um sentido de obrigação, a obrigação de fazer o que lhe dizem sem questionar. O medo de ser mal tratado, de ser humilhado e de não ser querido se não fizer o que o adulto manda é o que a leva a obedecer.

Antes que os comportamentos de obediência ou submissão apareçam, haverá um adulto que se relaciona com a criança e que a influencia - seja um pai, mãe, professora ou professor; um adulto que ensina algo mais importante do que obedecer ou não; uma figura “investida” de autoridade que cuida, protege e ama a criança. É a partir desse cuidado, proteção e amor que a criança constrói e aceita o adulto como uma referência.

As crianças dão-se perfeitamente conta de quem as ama ou não. Não queira filhos submissos, porque são os que mais abusos poderão vir a sofrer, e de todos os géneros. O que deve querer – insiste o psicólogo – é que eles sejam capazes de ter consciência do que valem sem precisarem de implorar por reconhecimento.

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