O seu filho é perfecionista? E tem dificuldade em controlar-se quando não consegue atingir os seus objetivos? Um estudo internacional publicado pelo site SAGE Journals descobriu que as crianças com menor autocontrolo tendem a ter maior dificuldade em empregar-se em adultos, além de registar níveis de frustração mais elevados ao longo da vida. Faça uma autoanálise da situação e saiba como (não) deve agir.

Os fatores indiciadores de uma criança perfecionista

Sim, se a resposta às interrogações abaixo for maioritariamente afirmativa, o seu filho leva a necessidade de perfeição ao extremo:

- Vive angustiado a tentar corresponder ao que os pais, a escola ou os colegas esperam dele?

- Entra em depressão ou ansiedade extrema com pequenos erros?

- Critica e avalia muito o seu próprio comportamento e resultados?

- Notas medianas deixam-no frustrado e irritado?

- Fica demasiado irritado, agressivo ou triste quando não alcança objectivos ou perde um jogo?

- Foca-se muito no que não tem, no que lhe falta e no que não chega ou não é suficiente?

- Angustia-se se ainda não sabe o que quer fazer quando crescer ou quando julga que lhe faltam determinadas capacidades para ser o que deseja?

- Treina ou estuda exageradamente e vai sempre além dos limites para conseguir ter rendimento?

- Verbaliza expressões como «Se eu conseguir mais três décimas», «Se eu fizer mais uma direta», «Se eu deixar de sair e me focar apenas nisto» e outras semelhantes?

- Observa e critica os colegas que não atingem bons resultados?

- Critica os pais se se atrasam ou se fazem com que se atrase?

- Tem dificuldade em aceitar brincadeiras, ironias ou o lado mais divertido da vida e/ou considera que a diversão é uma perda de tempo?

- Não tem espírito de equipa nem gosta de trabalhar em grupo?

- Não confia na habilidade ou conhecimentos de outros elementos do grupo quando tem de trabalhar dessa forma?

- Sofre frequentemente de dores de cabeça, dores de estômago e perturbações alimentares?

Veja na página seguinte: O seu filho é mais para o desleixado?

O seu filho é mais para o desleixado?

Sim, se a resposta às interrogações abaixo for maioritariamente afirmativa, o seu filho não é dado a perfecionismos:

- Esforça-se por fazer as coisas bem feitas (estudar para os testes e chegar a horas, por exemplo), sem se preocupar, irritar ou deprimir se o resultado não for exatamente o que esperava?

- Vive a idade que tem. É alegre e convive com outras crianças da sua idade, sai e diverte-se e vê apenas o lado lúdico da vida?

- Consegue ver o lado positivo dos acontecimentos menos positivos?

- Esforça-se por encontrar soluções criativas para os seus problemas?

- Sabe parar e dosear o tempo de trabalho e/ou de brincadeira?

- Interessa-se por perceber como os outros se sentem e preocupa-se em ajudar?

- Faz amizades para além do seu círculo habitual, para além da escola, por exemplo?

- Não repete as tarefas até à exaustão à procura do melhor possível ou dos erros que possa ter cometido?

- Tem vida social e não é compulsivo ou obsessivo com horas e regras?

- Não costuma corrigir os outros?

- Foca-se mais em compreender os processos e a tarefa do que em alcançar resultados perfeitos?

- Tem espírito de equipa, ajuda os outros a alcançarem os seus objetivos e pede ajuda quando precisa?

- Adapta-se facilmente a novas situações?

- É flexível com as opiniões contrárias às suas?

Como evitar que o seu filho seja refém do perfecionismo

- Não exija que ele seja a medida daquilo que deseja para si, ou seja, não o meça pela escala daquilo que não foi mas que gostaria de ter sido.

- Valorize a singularidade do seu filho e faça com que ele perceba que as fragilidades podem ser melhoradas com tempo, carinho por si mesmo e respeito pelos outros.

- Mostre-lhe que o nosso valor não deriva do que nos atribuem, mas do que fazemos para dar ao mundo paz, harmonia, alegria, companheirismo e empatia.

- Tenha uma atitude leve perante a vida, desdramatize os problemas e perdoe os erros e limitações do seu filho, bem como os seus próprios.

- Ensine o seu filho a focar-se no que é realmente importante para se sentir feliz e a ir sempre além do óbvio para resolver os problemas que surgem.

- Valorize o tempo de qualidade em família, a capacidade para falar de sentimentos e a procura da solução mais simples para problemas complexos.

Texto: Nazaré Tocha com Teresa Marta (coach para a coragem e CEO da Academia da Coragem)

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