Nenhum ser humano nasce a saber dormir! Esta afirmação pode soar estranha, sobretudo porque é senso-comum achar que, quando nascem, os bebés “só dormem e comem”. Repito: nenhum ser humano nasce a saber dormir... Nem a saber comer aliás.

Na maternidade ensina-se a mãe e o recém-nascido a pegar na mama quando este não o faz de forma mais natural e, uns meses mais tarde, ensina-se a criança a comer com a colher. Porque deveria ser diferente no sono? Os bebés precisam de aprender a dormir bem.

O que é dormir bem?

Dormir bem é conseguir adormecer de forma regular pelos seus próprios meios, sem a presença dos adultos nem a sua ajuda e dormir as noites completas, conseguindo readormecer sozinho nos 5 a 8 despertares naturais que todos temos ao longo do ciclo de vigília-sono.

Até aos 6 meses, esta tarefa é difícil porque o bebé acabou de chegar ao mundo e ainda está a ajustar os seus ritmos biológicos e a precisar que os adultos o ajudem a regular-se.

Depois dos 6/7 meses, este deve ser o objetivo a longo prazo de todos os pais para o sono dos filhos. Nesta altura em que tanto se fala de atingir objetivos, este é um excelente objetivo a cumprir. Como?

Antes de mais, estabelecemos uma rotina que se repita diariamente. Depois ajudamos a criança a associar elementos externos ao ato de ir dormir, seja um boneco, doudou ou mantinha, a chucha ou o móbil. Elementos esses que lhe vão fazer companhia ao longo de toda a noite.

Como tal, só para relembrar, nunca poderão ser os pais! Por fim, deitamos a criança com essa companhia toda, damos o beijinho de boa noite e saímos do quarto.

Gerir a ansiedade

Uma criança autónoma no adormecer e no re-adormecer ao longo da noite é uma criança que, à partida, foi ensinada através do afeto a auto-regular-se. Ou seja, é uma criança que consegue gerir-se melhor quando fica ansiosa, que sente o momento antes de adormecer como um bom momento, que sabe estar sozinha, que cria estratégias próprias para enfrentar aqueles pequenos medos e que dorme de forma mais tranquila e retemperadora.

Para terminar, deixar a nota de que a atitude dos pais é uma parte fundamental do sucesso deste objetivo. Os pais devem ter presente que um sono autónomo e de qualidade é algo fundamental para o bem estar do bebé e, também, para o dos pais, tanto a curto como a longo prazo. Assim, devem dar as indicações num tom de voz afetuoso mas determinado e devem transmitir a segurança e a tranquilidade de quem está a fazer a melhor coisa pelo seu filho.

Um artigo da psicóloga clínica Inês Pessoa e Costa, consulta do Sono-Pediatria do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas

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