Na terça-feira começa o Ano Novo Lunar. E, há várias semanas, que a Porquinha Peppa - em ingês Peppa Pig - invadiu as estantes das lojas, dos pacotes de bolachas aos peluches, passando por estojos e porta-chaves.

Muito criticada no ano passado por um meio de comunicação estatal, que a acusava de ser usada como um símbolo da contracultura, este ano volta com força ao cinema ("Peppa Pig celebra o Ano Novo chinês"), num filme que estreia esta semana.

Nesta longa-metragem, produzido pela China e Reino Unido, a porquinha estará acompanhada de dois novos amigos, "Jiaozi" (Guioza) e "Tang Yuan" (Bolinho de arroz viscoso), chamados assim em alusão a duas especialidades culinárias chinesas típicas das festas.

A Porquinha Peppa conta as aventuras de uma jovem porquinha brincalhona que gosta de pular na lama, do seu irmão George e dos seus pais. O seu desenho é muito popular entre as crianças chinesas.

Censurada no TikTok

No final de 2018, a gémeas chinesas de cinco anos Mi Ai e Mi Ni gravaram um vídeo no qual pediam para encontrar a rainha da Inglaterra, Isabel II. Isso ocorreu depois de as meninas terem visto num episódio como a sua heroína favorita conhecia a soberana.

O vídeo teve cinco milhões de visualizações e um impacto tão grande que as irmãs foram convidadas - perante os meios de comunicação - a tomar chá com a embaixadora britânica em Pequim. Esta prometeu-lhes uma visita ao Palácio de Buckingham.

"É realmente divertido e os diálogos são fáceis de entender", declarou a mãe, Bella Zhang, explicando a simpatia que as filhas têm por esse desenho.

A Porquinha Peppa foi transmitida pela primeira vez neste país em 2015. Mas em maio de 2018, 30.000 vídeos que continham a personagem foram retirados da popular aplicação chinesa TikTok. Meios de comunicação relacionados com o Partido Comunista Chinês (PCC) criticaram a manipulação da qual estava sendo alvo a inofensiva personagem.

Os utilizadores usavam a sua figura para elaborar outras imagens, vídeos, rótulos virtuais e tatuagens com mensagens divertidas, subversivas, irónicas com o poder e, inclusive, pornográficas.

Uma contracultura que "não se deve permitir destruir a infância dos nossos jovens e quebrar as regras", defendia em abril um editorial do Diário do Povo, jornal oficial do PCC.

Vídeo viral

Os episódios de Porquinha Peppa registaram 60 mil milhões de visualizações nas principais plataformas de vídeo on-line da China, afirma à Agência France-Presse (AFP) Jamie MacEwan, do gabinete britânico Enders.

"Este valor era de 24,5 mil milhões em maio de 2017. Assim, pode-se ver que o interesse por esse desenho está a aumentar".

Recentemente, o filme deu lugar a um anúncio com atores reais que se tornou viral. "O que é  Peppa?" foi visto mais de 1,6 mil milhões de vezes na rede social Weibo.

O clipe descreve um aldeão que fabrica, a partir de objetos reciclados, um brinquedo que representa a porquinha, com a intenção de agradar à sua neta, criada na cidade e que voltará a vê-lo no Ano Novo.

A longa-metragem já alcançou, antes do seu lançamento, a faturação de 12 milhões de iuanes (1,6 bilhão de euros) na pré-venda de bilhetes.

Num país no qual o porco simboliza a riqueza, os produtos relacionados a Porquinha Peppa são muito populares.

Mas o sucesso da personagem é uma faca de dois gumes para a empresa canadiana Entertainment One, produtora do desenho, pois as imitações florescem na China.

Em 2018, foram apreendidas mais de meio milhão de falsificações, e dezenas de milhares de anúncios de venda on-line foram suprimidos, indicou à AFP um porta-voz da empresa. "Na China temos uma equipa encarregada deste problema e que já lidou com muitos casos".

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