A escritora Anais Nin dizia que “a origem da mentira está na imagem idealizada que temos de nós próprios e que desejamos impor aos outros”. Uma frase que encaixa como uma luva no comportamento de muitos jovens e que deixa os pais em pânico. “Lidar com a mentira é frustrante e confuso para muitos pais. Infelizmente, grande parte dos adolescentes e pré-adolescentes mente ou conta apenas uma parte da verdade”, escreveu Megan Devine, terapeuta clínica, escritora e oradora, num artigo sobre a mentira para o Empoweringparents.com.

James Lehman, reputado autor e especialista em comportamento, explica que as crianças mentem por muitas razões: para encobrir os seus passos, para fugir a uma tarefa e para agradar aos colegas. “Às vezes, as crianças até contam mentiras para proteger outras pessoas”, afirma Megan Devine no mesmo artigo. “Alguns adolescentes desenvolvem o hábito de dizer meias-verdades ou exagerar sobre coisas que parecem irrelevantes ou desnecessárias. Podem pensar que, assim, vão conseguir o que querem, ou fugir de uma situação complicada”, acrescenta. “Como muitos adultos, as crianças também conseguem ser menos honestas, porque acham que a verdade não é interessante o suficiente.”

Mentir pode ser igualmente uma maneira de chamar a atenção, de parecer mais poderoso ou atraente aos olhos dos outros, de obter simpatia ou apoio e, quem sabe, é um sinal de alguma incapacidade para resolver um problema.

A Academia Americana de Psicologia da Criança e do Adolescente defende que uma mentira ocasional não é preocupante, mas a “desonestidade e exagero crónicos devem ser abordados e corrigidos”.

Megan Devine avisa que é importante distinguir as mentiras que encobrem o uso de drogas, ou outros comportamentos de risco, das pequenas patranhas diárias que alguns adolescentes contam quase por hábito e conveniência. “Não se engane: se o seu filho mentir sobre coisas que podem ser perigosas, procure apoio rapidamente”, aconselha a psicóloga.

Quando uma criança diz uma mentira, não ajuda dar-lhe uma palestra sobre a verdade. “Na maioria das vezes, ele estará apenas a desculpar-se por alguma coisa. Mas se, por outro lado, perceber que está a criar o hábito de mentir por tudo e por nada, não há como fugir de uma conversa séria”, sublinha Devine.

Em primeiro lugar, é preciso perceber que problema está ele a tentar resolver. Ou a evitar. Coloque-lhe as seguintes questões: “Achas que é mais fácil mentir do que arriscar ferir outra pessoa?”. “Acreditas que podes ganhar o respeito do teu grupo por inventares coisas?”. Quando ele responder, ouça-o com atenção e sem julgamento.

Devine explica que. no livro “The Total Transformation Program” (Programa de Transformação Total), James Lehman defende que a maioria das crianças mente porque é conveniente – parece ser a melhor decisão nesse momento. “Se perceber que a criança espera poupar-se a algo por estar a mentir, ajude-a a encontrar outra estratégia”. Por exemplo, “se o seu filho estiver a mentir para ocultar uma falha, dizendo que foi à lavandaria buscar aquela roupa que lhe pediu, mas estava fechada, o que é falso, estabeleça claramente as regras e as consequências que sofrerá se as violar”. Para Megan Devine, “eles não têm de gostar das regras, só têm de as entender e obedecer”. Também pode explicar ao seu filho que ao infringir uma regra e mentir para ocultar essa infração, terá um castigo adicional pela mentira.

Se o seu filho não estiver a mentir para evitar problemas, terá de descobrir o que se passa. “Comece por dizer algo como: ‘tenho reparado que andas a mentir sobre coisas sem sentido. Quando perguntei onde estava o telefone, disseste que não sabias e agora encontrei-o no teu quarto. Dizes-me se faz favor porque me mentiste por causa de algo tão absurdo?’”.

Já se o problema forem os exageros opte por esta abordagem: “Eu estava interessada na tua história, mas de repente parece que começaste a inventar coisas. Podes explicar-me porquê?” É bom que se prepare para ouvir algumas respostas menos claras – e até simpáticas. “No caso de alguns adolescentes, um encolher de ombros é a melhor resposta que se pode obter. Mas ao reconhecer a mentira sem começar logo a mortalizar e a dar sermões, está a enviar uma mensagem poderosa.” Qual? A de que ser desonesto não é garantia de nada bom. E permite ainda que ele compreenda o quanto o conhece bem.

“As crianças geralmente não entendem o quão dolorosa pode ser a mentira”, defende Megan. Por isso, os pais devem lembrá-las da importância da honestidade.

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