Nascida em Moçambique, os pais falam o crioulo cantante de Cabo Verde e vive em Portugal desde criança. Zizy Vasconcelos é a voz tranquila que acompanha Don Kikas, Matias Damásio, Djodje, Beto Dias, Grace Évora, Tabanka Djazz ou Daniel Nascimento.

‘Eu defino-me como uma cidadã do mundo. Às vezes na brincadeira com alguns amigos, eles perguntam-me qual é a minha nacionalidade’. Esta é a melhor forma que Marize Vasconcelos encontra para se definir. A cantora é uma das coristas que acompanha vários artistas africanos.

Com uma relação bastante forte com a família, Marize viveu na zona ribeirinha de Lisboa depois de o seu pai ter ido para Lourenço Marques, vindo da Ilha de Santiago.

Tudo começou com uma brincadeira. Depois de vários anos a cantar com a mãe e os irmãos, Zizy Vasconcelos e a irmã participaram num concurso realizado e produzido pela cantora cabo-verdiana, a Mizé Badia. No júri estavam Paulo Flores, Ana Firmino, mãe do cantor Boss AC e Lura.

Até ter trabalhado com o Don Kikas, Zizy nunca tinha feito coros, ‘o Don Kikas gostou da minha voz, e achou que devia experimentar fazer um concerto, juntar-me às outras cantoras, neste caso a Vânia, a Caxuxa e a Eneida que me ajudam imenso’.

Contudo, o trabalho nos coros foi encarado com alguma relutância por parte de Zizy. ‘Comecei a aprender realmente a ver e a sentir o que eram os coros, que eu penso que é o mais difícil na música’. As pessoas que fazem coros têm uma certa dificuldade em definirem-se e em encontrarem um estilo próprio. Ao cantar com o Beto Dias, gostava de cantar da forma e com o estilo com que ele canta; ao conhecer o Jay, que é um cantor com um estilo mais rap, mais tradicional, gosto de trabalhar com ele; acompanhar o Don Kikas, que é angolano e canta semba – que eu adoro – penso como seria cantar um semba; ao acompanhar o Tito Paris também gosto imenso porque ele tem o seu próprio estilo.

A primeira vez que Zizy entrou num estúdio foi na Holanda e na altura a sensação de gravar com grandes referências musicais, os seus ídolos, foi muito grande.

Ser cantora é uma forma de estar para Zizy. Pertencer a um coro é encarnar uma personagem de cada vez. No entanto, há no seu íntimo uma vontade em estar à frente de um palco. ‘Eu gostaria imenso de ter um disco porque gosto de me sentir à frente e sinto isso quando faço duetos. Já não é a mesma coisa como no início em que tinha vergonha, enganava-me, tinha brancas no palco’, diz entre sorrisos, Zizy.

Entre risos, Zizy fala sobre a forma como os seus amigos descrevem a sua voz, dizendo que embora ela não seja uma pessoa tranquila, muitos caracterizam o seu tom como sensual, calma e tranquila.

É com alegria que Zizy fala do que faz. É assumidamente uma mulher dos sete ofícios e ser mãe, trabalhar no aeroporto, ser artista é para si um misto de cansaço e uma grande vontade. ‘Nós não conseguimos descansar, e eu falo por mim e pelos meus colegas, mas nós gostamos disso. Há uma adrenalina de chegar a um festival e encontramo-nos com outros músicos, alguns deles que nunca vimos ou os que só vimos na televisão. Pensamos: já é tarde temos que ir para casa ou para o hotel, mas como está ali aquele músico vamos conversar um pouco com ele, conhecê-lo melhor’.

Quando era pequenina, Zizy Vasconcelos confessava à mãe: ‘um dia eu vou cantar com o Costa Neto, o Gil Semedo ou o Paulo Flores. Um dia vou cantar com a Cesária’. Ainda vai a tempo.

@Eliana Silva

Fotos: JoséFernandesphoto e Ricardo Quintas

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