Ao longo dos anos, as mulheres continuaram a destacar-se nos diferentes ramos de actividade e Moçambique não ficou alheio a essa realidade.

Por essa razão, e para assinalar a data, o SAPO Moçambique selecionou 8 divas moçambicanas que inspiram a sociedade, no país e no mundo, na luta pela equidade de género e, sobretudo, no desenvolvimento global. Queres saber com qual delas mais te pareces? Faz o teste.

Maria de Lurdes Mutola

Nascida a 27 de Outubro, a antiga estrela do atletismo encontrou neste desporto uma forma de erguer o nome de Moçambique além fronteiras.

A campeã dos 800 metros nos Jogos Olímpicos de Sydney no ano 2000, saiu do Bairro do Chamanculo, em Maputo, em 1998, para o Estado de Oregon nos Estados Unidos da América, onde consolidou a sua formação como atleta.

Mutola marcou a história do desporto nacional e internacional e, no país, não há desportista algum que tenha triunfado tanto quanto ela.

A menina de ouro, que também representou a selecção nacional feminina de futebol, detém o recorde mundial dos 1000 metros em pista coberta e em pista aberta, o recorde africano dos 1000 metros em pista aberta, o recorde africano dos 800 metros em pista aberta e também todos os recordes nacionais para as categorias que disputou.

Graça Machel

É natural de Manjacaze, província de Gaza. A activista dos Direitos Humanos nasceu a 17 de Outubro de 1945.

Bacharel em Filosofia da língua alemã, pela Universidade de Lisboa, foi professora e combatente da Luta Armada de Libertação Nacional, ao lado da Frelimo. Assumiu o pelouro da Educação e Cultura, no primeiro governo moçambicano, tendo dirigido o sector durante 14 anos.

Graça Machel tem personalidade forte e é bastante activa em iniciativas que promovem a igualdade.

Mamã Graça, como é carinhosamente tratada na Pérola do Índico, é a mentora da Fundação Para o Desenvolvimento da Comunidade, uma organização sem fins lucrativos.

Exímia recordista em condecorações por causas sociais, destacam-se no seu currículum, três títulos de Doutora Honoris Causa, nomeadamente: pela University of Essex, na Inglaterra em 1997, pela University of Cape Town, África do Sul em 1993 e pela Universidade de Évora, em Portugal em 2008.

É a única pessoa no mundo que foi primeira-dama de mais de uma nação, tendo sido casada com o primeiro Presidente de Moçambique, entre 1976 e 1986, ano em que Samora Machel perdeu a vida, vítima de acidente de aviação. Doze anos mais tarde, casou-se com Nelson Mandela, primeiro Presidente negro da África do Sul.

Neyma

O talento da “Diva da Marrabenta” viria a evidenciar-se em “Fantasia”, um concurso musical televisivo, que buscava descobrir potenciais aspirantes ao mundo da música, como cantores. Destacou-se em segundo lugar. A construção e consolidação da sua carreira saiu da fantasia para uma grande realidade.

Nascida a 6 de Maio de 1979, Neyma lançou o seu primeiro álbum, intitulado “Brigas” em 1999. Seguiram-se os álbuns “Baila” (2000) e “Renascer” (2001).

Após uma pausa de quatro anos na produção de discos, regressou com . Em 2005 trouxe o extrondoso “Arromba”, que a levou ao reconhecimento internacional.

O quinto álbum viria como um presente de aniversário a ela mesma. “Neyma 10 Anos” é o título da obra lançada em 2010 para assinalar os 10 anos de carreira da artista.

Luísa Diogo

A economista nasceu precisamente no mês da Mulher Moçambicana, no dia 11 em 1958.

Cuidou dos fundos do país, como Ministra de Plano e Finanças, entre 1999 e 2005. Em 2004 a sua carreira política viria a dar um salto qualitativo, quando assumiu o cargo de Primeira-Ministra, em substituição de Pascoal Mucumbi. Luísa Diogo permaneceu no cargo até 2010.

Durante o seu mandato, Diogo instou os ministros africanos da saúde a oferecerem serviços de saúde reprodutiva e sexual gratuitos no continente. Esses serviços poderiam reduzir a mortalidade infantil em dois terços, a mortalidade materna em três quartos, reverter a disseminação do HIV e promover a igualdade de género e o emponderamento das mulheres. Contribuiam, desta forma, para o alcance dos objectivos estabelecidos pela ONU até 2015.

Em 2014, Luísa Diogo ficou em segundo lugar nas eleições internas da Frelimo para candidata a Presidente da República, nas eleiçoes gerais do mesmo ano.

Clarisse Machanguana

A conceituada antiga jogadora profissional de basquetebol feminino está engajada na promoção de comportamentos saudáveis entre adolescentes e jovens, particularmente para a prevenção do HIV e a promoção da adesão ao tratamento de doenças sexualmente transmissíveis.

Machanguana nasceu a 4 de Outubro de 1976. Jogou na Liga Norte-americana de Basquetebol Feminino (WNBA) entre 1999 e 2002, tendo seguido para o FC Barcelona, em Espanha, em 2003. Representou a selecção nacional de basquete por diversas ocasiões, uma das quais, o Afrobasquete feminino de 2013, onde ajudou Moçambique a conquistar a medalha de prata, antes de anunciar o fim da sua carreira aos 40 anos de idade.

Em 2016, a ex-atleta foi nomeada embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), para Moçambique. Esta nomeação deveu-se muito ao seu empenho em projectos de responsabilidade social.

Ivone Soares

Nascida a 23 de Outubro de 1979, muito cedo iniciou a sua carreira política e chegou ao parlamento pela Bancada da Renamo, como uma das mais jovens deputadas do país. Hoje, é líder da bancada parlamentar do maior partido da oposição em Moçambique.

Ivone Soares é, igualmente, membro do parlamento Pan-Africano, secretária de mulheres políticas na União Democrática da África , uma associação centrista continental, e vice-presidente da juventude para o Parlamento pan-africano.

Em 2016, Ivone Soares foi alvo de uma tentativa de assassinato, onde escapou ilesa.

Soares é a favor da descentralização e exige mais poderes para os governadores regionais. Esse desejo parece ter tudo para concretizar-se, já que consensos alcançados entre o Presidente da República, Filipe Nyusi e o Líder da Renamo, seu tio Afonso Dhlakama, resultaram na submissão, à Assembleia da República, de uma proposta de emenda à Constituição da República.

Paulina Chiziane

Engajou-se na luta pela emancipação, através da literatura.

A escritora, nascida a 04 de Junho de 1955, no distrito de Manjacaze, província de Gaza, foi a primeira mulher moçambicana a escrever um romance, tendo-se estreiado com a obra Balada de Amor ao Vento, em 1990. Daquele ano a esta parte, seguiu com a publicação de mais 9 romances, nomeadamente: Ventos do Apocalipse; O Sétimo Juramento; Niketche: Uma históra de poligamia (Valeu-lhe o prémio José Craveirinha em 2013); As Andorinhas; O Alegre Canto da Perdiz; Na Mão de Deus; Por Quem Vibram os Tambores do Além; Ngoma Yethu: O Curandeiro e o Novo Testamento; e Ocanto dos Escravos, esta última publicada, em 2017.

Hermínia Machel

Uma das mais célebres caras da televisão moçambicana, Hermínia Machel, nascida a 4 de Março de 1966, iniciou a actividade jornalística quando tinha 22 anos, em 1988. É daquelas caras que a sociedade moçambicana vê desde os tempos em que o televisor a preto e branco era a moda no país.

Apesar de ter nascido no Hospital Miguel Bombarda, agora Hospital Central de Maputo, foi registada como sendo natural Gaza, terra natal dos pais.

Foi uma das primeiras mulheres moçambicanas colocada como pivot de noticíarios, na Televisão de Moçambique, onde trabalha até hoje.

Em 1990, ganhou um prémio de Jornalismo Cultural, que lhe valeu um estágio na televisão portuguesa RTP.

Certamente, Hermínia Machel já noticiou factos relacionados com todas as outras divas aqui mencionadas, mas o facto que marcou a sua carreira foi a morte do jornalista Carlos Cardoso, no ano 2000, onde segundo conta, foi a primeira jornalista a chegar ao local do assassinato e narrar o sucedido, depois de, horas antes, ter-se cruzado com o malogrado, na zona do Parque dos Continuadores.