O acesso facilitado ao financiamento é uma das questões que preocupa as mulheres empreendedoras moçambicanas, que nesta segunda-feira estiveram reunidas no Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM), em Maputo, no âmbito da terceira edição da semana global do empreendedorismo que decorre até ao dia 19 de Novembro.

Com efeito, mulheres empreendedoras de Moçambique e África do Sul partilharam as suas experiências com jovens estudantes e não só, como forma de “informar, interagir, atrair e mobilizar a próxima geração de empreendedores de forma a tornarem-se inovadores e criativos”, segundo revelou Mamiza Muteia, coordenadora da semana do empreendedorismo em Moçambique.

A questão do financiamento às iniciativas empreendedoras das mulheres voltou a ser nota dominante nas várias intervenções ocorridas neste evento, tendo em conta que a banca demonstra pouco confiança em apoiar iniciativas empresariais levadas a cabo por mulheres. No entanto, algumas das participantes realçaram o facto de, no mercado moçambicano, começarem a surgir várias iniciativas que visam o apoio a mulheres empresárias.

“O mercado está a mudar e agora é mais fácil chegar ao financiamento bancário e alguns bancos da praça já têm produtos destinados a mulher, porém estes produtos deviam ser melhorados para facilitar o acesso por parte das jovens empreendedoras”, considerou Afura Timóteo.

Para Milva Santos, “só com a união é que as mulheres poderão ultrapassar as diversas barreiras que existem para as empreendedoras, pois o mercado moçambicano já testemunhou iniciativas inovadoras de moçambicanas que, unidas numa empresa, conseguem triunfar no mundo dos negócios”.

A sul-africana Numalhubi Semamane, vencedora do Prémio Mulher Empreendedora 2009, na terra do rand, partilhou a sua experiência com as moçambicanas, sobre como ultrapassar a questão do acesso ao financiamento, revelando que para iniciar o seu negócio teve que beneficiar de um financiamento familiar.

“O financiamento é a parte importante para que possamos desenvolver um negócio e para que possamos beneficiar dele é necessário que tenhamos um plano de negócios bem desenhado. Eu tive que recorrer a um financiamento familiar para que pudesse iniciar com a minha actividade e só posteriormente é que pude beneficiar de financiamento bancário”, disse Numalhubi Semamane.

Referir que de 5 a 21 de Novembro o mundo inteiro reflecte sobre o empreendedorismo, em 40 mil eventos que terão lugar em 103 países, envolvendo cerca de 10 milhões de participantes.

Alfredo Lituri

16 de Novembro de 2010

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