Por muita informação que tenhamos, muitas vezes, com a correria do dia a dia, acabamos por nem sempre seguir à regra todos os rituais de beleza que defendem a epiderme das agressões a que é diariamente sujeita. A chegada do frio e da chuva exige cuidados acrescidos nesta altura do ano. Miguel Trincheiras, dermatologista, aponta os seis erros que provavelmente comete que podem estar a dar cabo da sua beleza.

1. Deixar de usar proteção solar no outono

Pode não ter de aplicar tanto protetor solar como no verão, mas não deve prescindir dele. Nos meses frios, "o sol continua a danificar as áreas descobertas da pele, nomeadamente a face, embora de forma mais atenuada do que no verão, porque como a incidência é mais oblíqua, os raios ultravioleta [UV] são mais filtrados", explica Miguel Trincheiras.

Para combater a sua ação, use um creme de dia hidratante com um fator de proteção solar incorporado (FPS 20 ou 30) ou aposte num BB cream ou num CC cream, já que combinam uma série de benefícios numa só embalagem, como a proteção solar.

2. Tomar um banho quente antes de dormir

O banho quente relaxa o corpo e a mente e conduz a uma boa noite de sono porque liberta uma série de neuromediadores que conferem uma sensação de bem-estar, particularmente no outono. No entanto, "a água quente fluidifica a camada hidrolipídica do sebo cutâneo e o risco de desidratação é elevado após estes banhos [de imersão ou simples duche]", diz o dermatologista.

Limite a duração do banho a cerca de 10 minutos, use água pouco quente, recorra a cosméticos de lavagem hidratantes e sem tensioativos e, para terminar, aplique um emoliente corporal em todo o corpo.

3. Fazer uma esfoliação diária e/ou usar máscara de argila duas vezes por semana

É outro erro. Segundo Miguel Trincheiras, "a esfoliação demasiado frequente da pele pode criar microlesões e facilitar o desenvolvimento de infeções cutâneas e a máscara de argila pode secar demasiado a pele, se esta não for bastante oleosa".

Escolha uma fórmula esfoliante suave e não a utilize mais do que duas vezes por semana. Faça máscaras de argila em função da necessidade da sua pele mas também sem ultrapassar as duas aplicações semanais.

4. Usar um hidratante oil free para evitar a acne

É outro erro comum no outono. "Se tem tendência para ter bastante oleosidade cutânea ou para o aparecimento de lesões de acne [de retenção ou inflamatórias], é aconselhável que use este tipo de creme", aconselha o dermatologista.

Mas, se a sua pele tiver a tendência para a secura, um fator que tende a acentuar-se no outono e no inverno, deve preferir um creme com uma fase gorda mais prevalente. Nestes casos, os cremes oil free não são suficientes para uma correta hidratação da pele. Recorra às fórmulas oil free apenas se a sua pele for muito oleosa ou for propensa à acne.

5. Ligar o aquecimento ao máximo quando está demasiado frio

Nesta época do ano, há alturas em que é (quase) impossível de evitar. "É verdade que dá conforto mas, além de gastar muita energia e ser caro, o calor radiante pode secar o ar e, consequentemente, a pele e ter uma interferência direta no desencadear ou agravar as situações de rosácea", adverte o especialista.

Aqueça a casa com moderação, agasalhe-se um pouco mais nos dias frios, tenha em atenção uma eventual necessidade de humidificar o ar e use cremes hidratantes durante o dia e à noite, para evitar o ressequir da pele.

6. Usar várias camadas de base para não ficar pálida

Além do excesso de base dar um ar artificial à pele, pode ser responsável pela sua desidratação, sensibilização e irritação, ou mesmo provocar patologias como a acne e a rosácea. Isto porque o excesso de maquilhagem se acumula na pele e obstrui os poros. Use cremes hidratantes e corretores adequados ao seu tipo de pele e apenas uma fina camada de base para uniformizar a tez.

"Se tiver uma pele clara, não tem obrigatoriamente que carregar numa base mais escura para ter bom ar. O nosso ar natural é, muitas das vezes, bastante mais saudável", partilha Miguel Trincheiras. Para além disso, reveja a sua rotina de limpeza da pele e recorra a um desmaquilhante com uma base oleosa, capaz de remover a maquilhagem mais resistente.

Texto: Madalena Alçada Baptista com Miguel Trincheiras (dermatologista)

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