Já há muito tempo que se conhecem as propriedades das células estaminais e a sua capacidade de mimetizar a ação de outras células importantes para a saúde humana, no geral, e da pele, em particular. No caso da pele, concede-lhe um poder de regeneração celular ilimitado associado à produção de elastina, queratina, colagénio ou ácido hialurónico, essenciais para uma aparência jovem. Veja também 3 (maus) comportamentos que podem estar a prejudicar a sua pele.

Após um período anos de estudos aprofundados, o departamento científico da Dior descobriu uma geração de células estaminais ainda mais potente, as células estaminais hipodérmicas. Com um enorme poder de regeneração cutânea, a recém-descoberta população de células estaminais consegue criar fibroblastos, responsáveis pela produção de elastina e colagénio e pela densidade e firmeza da derme.

Há vários fatores que influenciam a saúde da pele, como é o caso da firmeza, da textura e da luminosidade mas, de acordo com a investigação da equipa Dior, todos eles são determinados pelas células estaminais hipodérmicas. Estas células são o ponto de partida das bainhas biológicas que atravessam a pele desde a sua camada mais profunda até à superfície, assegurando uma matriz cutânea densa e estruturada.

Infelizmente, com a passagem do tempo, estas preciosas bainhas deformam-se e partem-se, levando à formação de rugas e flacidez. A Dior propõe reparar estes danos reforçando as bainhas biológicas para dar à pele o suporte e textura próprios de uma pele jovem, como chegou a explicar, em declarações à edição impressa da revista Saber Viver, Edouard Mauvais-Jarvis, enquanto diretor de comunicação cientifica da Dior.

«Situadas nas camadas mais profundas da pele, as células estaminais hipodérmicas têm um papel fundamental na estrutura global da pele, sustentando-a. Estão por trás das bainhas biológicas, linhas secretas que garantem a coesão entre as diferentes camadas da pele, proporcionando ao mesmo tempo verticalidade e firmeza aos tecidos, o que lhes confere suporte», explica o especialista internacional.

Como é que estas células reforçam as bainhas biológicas

As células estaminais hipodérmicas são células pluripotentes capazes de se especializar em qualquer célula do corpo humano, incluindo adipócitos, fibroblastos e células sanguíneas. «Quando se especializam nos fibroblastos geram dois tipos de células, uma delas de particular interesse, os fibroblastos contráteis que habitam nas camadas profundas da derme», descreve Edouard Mauvais-Jarvis.

«Estes produzem a proteína alpha SMA [sigla de Smooth Muscle Actin], que lhes permite contrair e relaxar sob a influência de várias mensagens químicas e processos mecânicos. Autênticos músculos subcutâneos, são responsáveis por organizar as fibras de suporte na derme e por ensiná-las a manter as bainhas biológicas seguras e sólidas», esclarece o especialista

A própria constituição das bainhas biológicas interfere com o processo. «Estas são compostas por diferentes células e estruturas, dependendo da camada da pele. A nível hipodérmico, começam nas células estaminais, que produzem fibroblastos e proteínas estruturais a nível dérmico. Na junção dérmica-epidérmica, são consolidadas e engrossadas com elementos como colagénio IV, colagénio VII ou perlecano», prossegue Edouard Mauvais-Jarvis.

«Se subirmos um nível, alcançamos as células estaminais epidérmicas, que produzem a quantidade suficiente de células para uma epiderme suave, espessa e coesa», desmistifica o especialista. «A modificação do volume facial está relacionada com um movimento descendente progressivo dos tecidos, causado pela força da gravidade», esclarece ainda.

«Os tratamentos recriam as forças que induzem tensão no tecido bem como matéria complementar que permite à pele manter o seu lugar e volume», acrescenta Edouard Mauvais-Jarvis. Veja também a lista com os 20 alimentos que ajudam a combater as rugas naturalmente e saiba ainda qual é o produto de beleza que ainda baralha muita gente.

Texto: Madalena Alçada Baptista