De facto, a preocupação com a aparência e com o processo evolutivo do envelhecimento é crescente no universo masculino. A consciência dos efeitos negativos da idade e o facto de estes poderem ser parcialmente revertidos ou adiados, é transversal ao homem e à mulher.

Mas só mais recentemente este tópico adquiriu relevância no universo masculino. Isto faz com que cada vez mais homens procurem alterar os seus hábitos de vida e soluções para melhorar. A exigência crescente do mundo laboral e a parentalidade cada vez mais tardia são outros fatores que contribuem para o alerta.

Porque surgem estas alterações?

O sol, a exposição ao tabaco, os maus hábitos alimentares e o avançar da idade contribuem para várias alterações que culminam com o envelhecimento precoce da região periorbitária.

Perda de elasticidade, volume excessivo causado pela protusão da gordura orbitária tornam a pálpebra superior pesada e contribuem para um olhar triste e cansado. Por vezes a pele da pálpebra é tão flácida e tão redundante que tem o efeito de uma “ cortina” podendo mesmo contribuir para a redução do campo visual.

A pálpebra inferior é de igual forma prejudicada. A perda de elasticidade decorrente da exposição solar, do tabagismo e obesidade pode ser grave o suficiente para outras alterações que não apenas a aparência inestética da região palpebral inferior. A degeneração do colagénio, o aumento do tecido adiposo e a perda da elasticidade da pele, músculo e laminas aponevróticas com o avançar da idade pode contribuir para o desenvolvimento de um ectrópio. A perda de contacto estreito entre a pálpebra inferior e o globo pode ser o ponto de partida para alguns problemas oftalmológicos graves, nomeadamente o olho seco.

Não são apenas as mulheres que se queixam deste problema... De facto, estas alterações degenerativas da pálpebra tendem a ser mais frequentes e mais graves no homem. A mulher tende a preocupar-se mais e mais cedo com os efeitos nefastos do sol e investe mais nos cuidados com a pele. Apesar da tendência estar a mudar, o homem não tem hábitos preventivos (sol, dieta) tão intensos.

Que soluções existem?

Numa fase inicial as principais medidas visam prevenir e atrasar o processo evolutivo. Para tal, há que alterar alguns hábitos: maior repouso, melhor alimentação para combater o excesso de peso se for o caso, proteção solar e cessação tabágica. A drenagem linfática da região palpebral ajuda a minimizar o inchaço, nos dias em que este é particularmente grave.

Aplicação de cremes reafirmantes também é outro aspecto a reter. Ainda que atuem superficialmente, potenciam a massagem dessa região ao serem aplicados e mantêm uma boa hidratação da pele.

Numa fase intermédia, quando a laxidão da pele ainda não é grave, mas as bolsas adiposas se evidenciam, pode realizar-se a uma intervenção cirúrgica sem cicatrizes externas (blefaroplastia transconjuntival) que permite corrigir as bolsas de gordura sem que se abra a pele da pálpebra.
Quando a flacidez da pele é significativa, a cirurgia é uma blefaroplastia formal e corresponde à correção do excesso de pele e remoção ou reposicionamento da gordura que está em excesso ou proeminente. A blefaroplastia realiza-se tanto na pálpebra superior como na inferior. Por vezes, no caso particular da pálpebra inferior é necessário rever a posição da pálpebra, fixando-a melhor ao esqueleto orbitário para que o ectrópio não venha a ser um problema.

São na maioria cirurgia realizadas sem necessidade de internamento e apenas com anestesia local.