São quatro os objetivos a perseguir quando a ideia é exibir um corpo perfeito. Eliminar rugas, corrigir manchas, promover firmeza e fornecer hidratação. Um rosto bonito pode perder parte da sua beleza se o pescoço e o decote estiverem precocemente envelhecidos. No entanto, esquecemo-nos frequentemente de cuidar desta zona. Os cremes de rosto não passam da linha do queixo e os de corpo nunca vão mais além do peito.

Essa situação faz com que se crie uma terra de ninguém, uma zona do corpo, precisamente essa, que não recebe os tratamentos adequados. "Muitas mulheres já aprenderam a usar o creme de dia com protetor solar incorporado, já aprenderam a usar protector solar diariamente, mas muitas vezes esquecem-se do pescoço, apesar desta zona ser mais sensível à exposição solar, por ter a derme mais fina", explica Alexandra Osório.

"É por isso que ele envelhece mais rapidamente", assegura ainda a dermatolovenereologista, que tem mestrado em dermatologia estética. A pele do pescoço e do decote, muito frágil, tem características específicas que a tornam mais vulnerável às agressões externas do que o resto do corpo. São essencialmente quatro as causas dessa fragilidade. Uma das explicações tem a ver com uma das suas características intrínsecas.

As três camadas que constituem a pele (epiderme, derme e hipoderme) são mais finas, pelo que a probabilidade de formar rugas no seguimento de contrações musculares tende a ser, desta forma, maior.

Se fizessemos com o pescoço os movimentos que fazemos a nível facial, seria uma montra de rugas. Para além disso, esta pele é pobre em glândulas sebáceas. A camada hidrolípida, a barreira de proteção essencial, é menor.

Isto faz com que o sebo, componente básico do filme hidrolípidico, se encontre em menor quantidade, pelo que a espessura e a qualidade da camada protectora é mais diminuta, facilitando a desidratação. Uma situação que justifica, assim, necessidades de hidratação consideravelmente superiores. Para além disso, esta pele está mais exposta ao fotoenvelhecimento. Porquê? A explicação é simples!

Devido ao pouco cuidado com a proteção solar nesta zona, tanto no dia a dia como na praia, que muitas mulheres (não) têm, como alerta a especialista portuguesa. Existem também fatores agravantes, como o acesso mais frequente a destinos de sol no inverno, solários e carros descapotáveis, sem uso de protecção adequada. O resultado? O aparecimento precoce de manchas e rugas!

Uma quarta razão prende-se com a musculatura débil que esta zona do corpo feminino muitas vezes evidencia. Os músculos de sustentação do pescoço e decote são, em muitos casos, débeis, o que aumenta a propensão à flacidez. Este problema também se repercute diretamente no peito. Descubra, de seguida, o que pode fazer e os tratamentos a que pode recorrer para combater seis dos problemas mais comuns.

1. Sinais de fotoenvelhecimento

A pele fotoenvelhecida é, de acordo com a dermatologista, "uma pele baça, sem luminosidade, grossa com poros dilatados e textura áspera, com rugas. Quanto mais fotodano, mais as rugas são profundas. Pode apresentar também telangiectasias e manchas cutâneas, para além de lesões pré-malignas ou malignas", refere ainda. O tratamento recomendado é a combinação da mesoplastia com a luz intensa pulsada (IPL).

"Trata-se do envelhecimento induzido pela ação da luz solar, manifestando-se, portanto, nas áreas fotoexpostas", explica Alexandra Osório. Para o combater, há a mesoplastia, que implica a infiltração na pele diferentes nutrientes (adaptados ao grau de fotoenvelhecimento) para estimular a regeneração cutânea e criar um efeito lifting, a par da injeção dos fármacos para modelar o contorno do rosto, recuperando o aspeto angulado.

A fotomodulação com uso de IPL é a segunda fase do processo. A luz intensa pulsada "trata os vasos, as manchas e estimula a derme de modo a que os fibroblastos produzam em maior número e maior qualidade as fibras elásticas e de elastina. E, para que este metabolismo se faça em todo o seu esplendor, temos previamente de alimentar a derme com a mesoplastia", explica ainda Alexandra Osório.

"O resultado é excelente. Ao final do quarto dia, após o primeiro ciclo de tratamentos, já temos resultados visíveis", garante a especialista, que sugere, habitualmente, entre 12 a 24 sessões de mesoplastia. Três sessões de 15 em 15 dias complementadas com uma sessão extra a cada mês e meio, para além de tratamentos com IPL, um por mês. Os preços médios oscilam entre 250 € e 500 € por sessão de mesoplastia e 150 a 250 € por sessão de IPL.

2. Rugas transversais no pescoço

O preenchimento com material reabsorvível é uma das soluções para combater este problema, que decorre do envelhecimento íntrinseco (idade e carga genética) e extrínseco (exposição continuada a tóxicos, como tabaco e poluição e radiação solar). Adicionalmente, de acordo com a Alexandra Osório, "a desidratação por cuidados deficientes e a utilização de produtos dermocosméticos inadequados" também têm uma quota de culpa.

O tratamento ideal para combater as rugas transversais no pescoço, na opinião da dermatologista, "é o uso de preenchimento das rugas com material reabsorvível, como o ácido hialurónico [Restylane]". O ácido hialurónico, para além das suas propriedades hidrantantes, também é um potente regenerador cutâneo. O resultado, com uma única sessão por ano, com preços entre 400 € e 800 €, é uma "correção completa a 100%", garante.

3. Rugas no decote

Estas rugas, visíveis desde os 30 anos, são provocadas pela idade, por fatores genéticos e pela exposição continuada a tóxicos como a poluição atmosférica, o stresse e o tabaco e também devido à radiação solar. Para além disso, dormir de lado e não cuidar da pele do decote e pescoço, também favorece o aparecimento destas rugas. Mesoplastia ou preenchimento, consoante a profundidade das rugas, são as soluções.

Para as rugas superficiais, Alexandra Osório recomenda a mesoplastia. «As microinjecções da mesoplastia não só hidratam e nutrem a pele, mas também produzem uma lesão mecânica que estimula a cicatrização natural da pele [formação de novas fibras de elastina e colagénio mais firmes e sólidas]. Assim, a derme fica mais rica e rejuvenescida e as rugas apagam-se", refere ainda a especialista.

O tipo de coquetel injetado para atingir o objetivo pretendido varia de doente para doente. Para as rugas profundas, em que há uma quebra na derme, de acordo com Alexandra Osório, "a melhor estratégia é usar materiais de preenchimento, como o ácido L-poliláctico [Sculptra], o ácido hialurónico [Restylane] ou o gel de agarose, cada um deles com durabilidade diferente", sublinha a dermatologista.

O resultado é a correção total das rugas do pescoço e do peito, com 100% de apagamento. Em termos de sessões médias necessárias, na mesoplastia, é habitual um ciclo de um tratamento de 15 em 15 dias até completar entre quatro a seis tratamentos. Os preços, que podem variam de clínica para clínica, oscilam entre os 200 € e os 500 € por sessão. Não é barato mas os resultado final é satisfatório.

4. Flacidez

Para combater este problema, o tratamento recomendado é um mix de radiofrequência e de Smartxide Dot. "À medida que envelhecemos, os fibroblastos produzem menos [e de pior qualidade] fibras que dão sustentação e firmeza à derme [colagénio e elastina], ao mesmo tempo que os factores como a radiação solar, induzem a síntese de radicais livres que provocam lesões nos fibroblastos e fibras da derme", explica Alexandra Osório.

A dermatologista acusa ainda o aumento de peso, que "induz acumulação de gordura na papada, com posterior distensão da pele". "Após o emagrecimento, desaparece a gordura, mas a pele perdeu a capacidade de se retrair", realça. "A radiofrequência é a técnica de excelência para combater a flacidez", garante a dermatologista. Consiste em transmitir à derme calor suficiente para gerar colagénio novo, o que exerce um efeito de tracção.

O Smartxide Dot, por seu lado, é um sistema de laser de CO2 fraccionado, com mais de uma década, especificamente desenvolvido para tratar o envelhecimento cutâneo. "Atua na epiderme e na derme de uma forma seletiva e controlada, estimulando a sua regeneração", refere. "O resultado é ótimo", assegura. Uma sessão mensal de radiofrequência, durante seis a nove meses, é um dos passos.

A restante fase do tratamento inclui "entre três a quatro sessões de Smartxide Dot", esclarece ainda a dermatologista. Em termos de preços, mais uma vez, o valor que é cobrado habitualmente pode revelar-se um entrave. Em média, as clínicas especializadas cobram entre 100 € a 250 € por sessão de radiofrequência e entre 700 € a 1.000 € por sessão de Smartxide Dot.

5. Desidratação e primeiros sinais de envelhecimento

Peeling e biorevitalização são duas das soluções que os especialistas, nacionais e internacionais, recomendam para este problema. Qual a causa? Para além da idade, da carga genética e da exposição continuada a tóxicos e à radiação solar, Alexandra Osório aponta como culpados "o pouco cuidado com a pele, o uso de produtos dermocosméticos inadequados, as dietas intempestivas e o não uso de protetor solar".

Para combater estes primeiros sinais de envelhecimento, recomenda dois tratamentos. Um peeling superficial, "para que os produtos dermocosméticos atuem com maior eficácia", complementado com sessões de biorevitalização. "Consiste na infiltração de nutrientes adaptados ao grau de envelhecimento e desidratação da pele [sem modelação facial nem efeito lifting] para devolver a hidratação, o brilho e a elasticidade", diz.

O resultado "é ótimo", refere Alexandra Osório. "Os resultados são visíveis ao fim da primeira sessão", garante. Em termos de sessões, exige um tratamento de peeling e um tratamento de 15 em 15 dias de biorevitalização, durante dois meses, seguido de tratamentos de manutenção a cada mês e meio ou dois meses. Os preços variam entre os 100 € a 150 € para o peeling e os 100 € a 250 € por sessão de biorevitalização.

6. Papada

São muitas as mulheres que se queixam deste problema. "A papada ou duplo queixo é uma quantidade exagerada de tecido com ou sem gordura e pode ser causada por flacidez e excesso de pele no pescoço ou devido à perda de firmeza das bandas do músculo platisma [músculo do pescoço]", explica Alexandra Osório. Em qualquer dos casos, "o doente fica com um ar cansado e envelhecido", refere a dermatologista.

Consoante o grau da papada, há dois tipos de abordagem, o lifting cervical ou a colocação de fios aptos. "Se a papada for volumosa, com perda dos ângulos da mandíbula, tem indicação cirúrgica para fazer um lifting cervical [cirurgia do pescoço] com ou sem lipoaspiração". Quando a papada é menos acentuada, existe um tratamento cirúrgico menos invasivo que consiste na colocação de fios aptos.

São fios de alta resistência que se ancoram na zona desejada para elevar o tecido facial. "É uma técnica feita com anestesia local, de recuperação rápida e sem complicações. Além da modelação do contorno da mandíbula e da redução da papada, por tracção, a ancoragem dos fios estimula a formação de novas fibras dérmicas, conferindo firmeza adicional", explica. É necessária uma única aplicação, com preços entre 1.500 € a 2.000 €.

Texto: Fernanda Soares

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.