“Em 1998 agarrei num cogumelo portobello num mercado, ergui-o sob a luz do sol e imaginei-o como uma árvore com a sua copa, vivendo num mundo alienígena. Adquiri uma porção de cogumelos, levei-os para o meu estúdio de fotografia e, juntando-lhe um punhado de feijão e arroz, fotografei-os. Criei a minha primeira paisagem de alimentos. Volveram dez anos, dúzias de novas paisagens no meu portefólio e a descoberta por parte dos meios de comunicação social do meu trabalho. As imagens tornaram-se virais em todo o mundo”.

É desta forma que o artista, designer e fotógrafo Carl Warner, um inglês, nascido em Liverpool, a trabalhar em Londres, descreve o momento, há mais de 20 anos em que descobriu na forma e “arquitetura” dos alimentos o argumento para lhes desenrolar uma nova história, fantástica, em mundos surreais criados com pães, beringelas, curgetes, brócolos, cogumelos, couves-flor, cenouras, um sem fim de alimentos.

“`Tropeçar` em algo que é original não é fácil numa época em que a maioria das coisas já foi feita ou pensada. O meu trabalho é comparado ao de Giuseppe Arcimboldo, arista que no século XVI pintou retratos de pessoas, usando como inspiração os alimentos da sua época. Gosto de pensar que aplicar o processo à paisagem é apenas uma progressão dessa ideia”, sublinha Warner que de 1998 a esta parte, expôs o seu trabalho perante audiências internacionais, da China à América do Sul e Europa.

Um trabalho que Carl viu, igualmente, vertido para livros, acompanhado em blogues, jornais e, inclusivamente, em noticiários nas televisões. Um projeto em torno dos alimentos que está a ser usado por nutricionistas para promover a alimentação saudável junto de comunidades escolares, centros de saúde e clínicas de obesidade infantil.

Não raro o trabalho do fotógrafo é exposto em grande formato em murais em hospitais infantis, assim como utilizado como ferramenta educacional sobre alimentação saudável, cultura alimentar e alfabetização nutricional.

Todos os mundos criados por Carl partem de uma montagem minuciosa dos alimentos sobre uma grande superfície. A luz artificial é cuidadosamente pensada. Os vegetais são frescos o que acarreta dificuldades acrescidas. Há que manter a integridade dos alimentos no decorrer de todo o processo de montagem e fotografia das cenas. O criador trabalha com uma equipa em estúdio para assegurar que a montagem dos cenários, obedecendo ao planeamento rigoroso que os antecede, não compromete a imagem final.

O trabalho deste britânico não se resume à matéria-prima alimentar. Warner tem especial predileção por fotografar corpos. O projeto “Bodyscapes” apresenta-nos corpos intricadamente enredados, formando orografias humanas.

O fotógrafo apresenta-nos o seu trabalho na página que criou para os seus projetos. Nela podemos, inclusivamente, adquirir reproduções das fotografias que Carl captou.

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