Num relatório publicado em junho, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) considerava que "o mar Mediterrâneo se transformou numa perigosa armadilha de plástico, com níveis recordes de poluição que põem as espécies marinhas e a saúde humana em perigo".

Por isso, este jovem engenheiro do ambiente de 27 anos iniciou o seu périplo de dois meses no início de julho, com o objetivo de sensibilizar as autoridades e os banhistas sobre a importância de não transformar o mar num caixote do lixo.

Mohamed Ossama iniciou o projeto "300 quilómetros" em Mahdia (leste) e vai terminá-lo na praia de Soliman, a 40 quilómetos da cidade de Tunes, capital tunisina. "Acredito no poder do cidadão e escolhi agir e sensibilizar as pessoas para o problema da poluição das nossas praias", explicou à agência de notícias AFP.

A gota de água

Além de sonhador, Mohamed Ossama é realista. "A ação 300 quilómetros não é realmente limpar, porque sei que sou apenas uma gota de água no oceano. Mas quero sensibilizar as pessoas para este problema. Quero que comecem a dizer: 'Espera, não é normal todas essas garrafas, estas tampas, todas estes sacos de plástico'", afirmou.

Depois da revolução de 2011, agravou-se na Tunísia o problema da proliferação de lixo nas grandes cidades, assim como no interior do país e nas praias.

Na primeira praia, Houij calcula ter recolhido cerca de 100 quilos de lixo. Depois de 150 quilómetros de marcha e com cerca de 15 praias "às costas", "podemos falar de toneladas de lixo", garante.

Chocado com os restos de tartarugas - encontrou mais de 30 - e com as praias cheias de garrafas de plástico e de fraldas descartáveis, Mohamed Ossama faz uma lista de "todas as formas de poluição que estamos fazendo o mar sofrer".

"As autoridades da Tunísia não abordam o problema da poluição como deveriam. Não há boa vontade", insiste.

De facto, alguns dos seguranças privados que vigiam as praias o impedem inclusivamente de passar, já que a lembrança de um agressor que levava uma mochila e deixou 38 mortos em uma praia de Susa, em 2015, está ainda presente.

Esse defensor da natureza também fica indignado com a reação de alguns banhistas, que lhe pedem que recolha seu lixo e o tratam como um "zaber" (lixeiro).

Durante algumas noites, Mohamed Ossama é acolhido e consegue dormir numa cama. De resto, dorme ao relento, depois de relaxar um pouco ao som da sua guitarra.

As reações vão "de um extremo ao outro": "Há pessoas muito ativas, que me estimulam e te ajudam a limpar. Outras pessoas, infelizmente, matam qualquer vontade de trabalhar por esta causa", acrescenta.

Um artigo da jornalista Kaouther Larbi da agência de notícias AFP.

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