A ministra da Saúde de França, Agnès Buzyn, anunciou que os médicos poderão prescrever preservativos, cujo valor será reembolsado aos contribuintes pela segurança social. O objetivo: acabar com o VIH/Sida.

"A partir de agora, uma pessoa jovem, que apresente riscos particulares ou não, seja mulher ou homem, poderá ir ao médico e obter preservativos (que serão) reembolsados com a prescrição médica", indicou a ministra em entrevista à rádio "France Inter".

Apenas uma marca específica participará da ação, mas Buzyn não revelou qual. Além disso, a ministra acrescentou que a decisão é da Haute Autorité de Santé, a autoridade pública independente que contribui para a gestão da saúde, que emitiu opinião favorável à sugestão de reembolsar "uma marca de preservativos de muito baixo custo".

"A cada ano são registados 6 mil novos casos [de VIH/Sida em França], dos quais entre 800 e 1.000 envolvem menores de 25 anos que frequentemente utilizam o preservativo na primeira relação sexual, mas não nos encontros seguintes", detalhou a ministra.

Realidade portuguesa

Mais de mil novos casos de infeção por VIH surgiram em Portugal no ano passado, sendo o grupo etário entre os 25 e os 29 anos o que teve taxa mais elevada de novos diagnósticos. Segundo o relatório “Infeção VIH e sida” relativo a 2017, apresentado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, no ano passado houve 1.068 novos diagnósticos de VIH, o que corresponde a uma taxa de 10,4 novos casos por 100 mil habitantes.

Já a percentagem de novos casos de infeção por VIH em consumidores de drogas injetadas atingiu, no ano passado, um mínimo histórico, com os casos de transmissão sexual em heterossexuais a serem os mais dominantes, sustenta. Em Portugal, mais de seis em cada dez casos de VIH diagnosticados em pessoas entre os 15 e os 29 anos ocorre em homens que têm sexo com homens.

O relatório de 2017 das infeções por VIH/sida do Instituto Ricardo Jorge mostra que os casos de VIH em homens que têm sexo com homens corresponderam a 64,1% dos casos diagnosticados em pessoas entre os 15 e os 29 anos.

A idade mediana à data do diagnóstico dos novos casos foi de 32 anos para os homens que têm sexo com homens, sendo o valor mais baixo de todos os grupos. Numa análise temporal mais lata, entre 2013 e 2017 verificou-se que quase 80% dos novos casos em homens até aos 29 anos referiam transmissão por sexo com homens.