“O rápido envelhecimento da população aumentará a pressão sobre os fundos de pensão e o trabalho, e as famílias enfrentarão dificuldades sem precedentes para cuidar dos mais velhos”, afirmou Wang Guangzhou, especialista em economia populacional, na Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS), citado pelo jornal oficial China Daily.

Segundo dados oficiais, 166,6 milhões de pessoas na China, o equivalente a 11,9% da população total, têm mais de 65 anos, mas devido à queda na taxa de natalidade, a proporção de idosos “aumentará rapidamente” ao longo das próximas décadas, alertou o especialista.

A China, nação mais populosa do mundo, com cerca de 1.400 milhões de habitantes, aboliu a 01 de janeiro de 2016 a política de “um casal, um filho”, pondo fim a um rígido controlo da natalidade que durava desde 1980. Pelas contas do Governo, sem aquela política, a China teria hoje quase 1.700 milhões.

Mas, devido à redução no número de mulheres em idade fértil, um grupo que perde entre cinco e seis milhões de pessoas por ano, e aos altos custos e falta de tempo para criar uma criança, a taxa de natalidade continuou a cair nos últimos anos.

Em 2018, o número de nascimentos fixou-se em 15,23 milhões, o mais baixo desde 2000, e um abrandamento de 3,81%, face ao ano anterior.

Citado pelo China Daily, Yuan Xin, professor na Nankai University, norte do país, estimou que o declínio da população, juntamente com o envelhecimento, fará com que o número total de pessoas em idade ativa (entre os 15 e 59 anos) caia 22%, para 700 milhões, em 2050.

O número de chineses em idade ativa está atualmente fixado em 897,3 milhões.

No entanto, Yuan recusou que o país vá sofrer escassez de mão-de-obra, e propôs um aumento da idade de reforma dos 60 anos anos – 55 para as mulheres em trabalhos intelectuais e 50 para as mulheres em trabalhos manuais – para os 65 anos, o que aumentaria a força de trabalho em carca de 100 milhões de pessoas.

“Com o desaparecimento de uma força de trabalho barata e massiva, a China não deve continuar a depender de indústrias que exigem mão-de-obra intensiva”, disse Yuan.

“Devemos concentrar-nos na pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico, e continuar a melhorar a qualidade da força de trabalho, para compensar o declínio populacional”, acrescentou.

Segundo o “Livro Verde da População e do Trabalho”, publicado pelo CASS em janeiro passado, a população chinesa atingirá o pico de 1,442 milhões, em 2029, e entrará em declínio no ano seguinte.

A projeção é de que, em 2025, a população do país asiático atinja os 1.364 milhões e, em 2065, 1.248 milhões – o mesmo número do que em 1996.

A atual restrição de dois filhos pode assim vir a ser também abolida, permitindo que as famílias tenham vários filhos, pela primeira vez em décadas.

Mas apesar das projeções de declínio no país mais populoso do mundo, as Nações Unidas estimam que a população global continue a crescer. Um relatório de 2017 estima que, em 2030, chegue aos 8,6 mil milhões, e que, até ao final do século, alcance os 11,2 mil milhões.

A Índia deve superar a China como o país mais populoso até 2024, segundo a ONU.

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