Devido ao elevado teor de nutrientes, o peixe é uma alternativa à carne. É, no entanto, necessário não esquecer que as reservas de peixe tendem a escassear devido a uma maior procura e ao aumento da população mundial.

A aquacultura parece ser uma alternativa, mas será o peixe de qualidade? Notícias recentes divulgadas na comunicação social relatam que peixes de viveiro, nomeadamente o salmão, ingerem químicos, suscetíveis de provocar cancro, implicações no sistema nervoso, no sistema imunitário e até esterilidade.

A contaminação parece ser causada pela alimentação dos peixes, visto que é elaborada em restos e óleos de peixes selvagens, expostos a resíduos industriais. Neste caso também, se possível, seria importante a certificação biológica, como acontece, por exemplo, em Inglaterra, onde existem viveiros de trutas biológicas certificadas.

Ainda no que se refere à carne, assiste-se cada vez mais a uma procura de aves de capoeira, ou seja, alimentadas à base de cereais como sêmeas de trigo, milho e couves. Assim, através de uma alimentação natural dos animais, garante-se a qualidade da carne e também dos ovos.

Atualmente, o facto de um alimento ser de origem biológica é realmente importante, pois é para muitas pessoas a única opção que garante uma alimentação de qualidade. O biológico é em muitos países uma realidade. Vai começando a existir uma grande variedade de produtos biológicos que podem ser encontrados à venda no nosso mercado. Também existem lojas especializadas que oferecem apenas produtos certificados biologicamente. Basicamente, os produtos biológicos são procurados devido à sua qualidade, naturalmente assegurada por organismos independentes, devidamente credenciados pela UE.

Os alimentos chamados biológicos são cultivados sem o uso de fertilizantes, herbicidas ou pesticidas artificiais e sem recorrerem ao uso de organismos geneticamente manipulados. No que respeita ao gado, não são utilizados químicos nem hormonas para promover o crescimento e a sua alimentação é biológica. Desta forma, beneficia-se também o meio ambiente, nomeadamente através da rotação de culturas e da utilização de fertilizantes provenientes dos animais.

São cada vez mais as pessoas que procuram alimentos alternativos. Por exemplo, são já comuns no nosso mercado os substitutos da carne elaborados à base de soja, cereais e outros vegetais. Sem dúvida, a soja é um dos vegetais mais utilizados na elaboração de alimentos que podem substituir a carne. Esta leguminosa, deve a sua riqueza ao seu elevado teor proteíco. É também rica em minerais como o potássio, o cálcio, o magnésio, o fósforo, o enxofre e o cloro, em vitaminas como a A, B1, B2, PP e K. A soja contém ainda nutrientes importantes como a lecitina e as isoflavonas.

O feijão de soja pode ser preparado à semelhança do feijão branco, por exemplo. Também os rebentos de soja podem ser consumidos crus (saladas), cozidos ou estufados. A soja granulada é também usada na confeção de inúmeros pratos.

Atualmente existem muitos alimentos, de fácil preparação e cujo sabor é por muitos apreciado, preparados com soja e outros vegetais, como por exemplo salsichas, hamburgers, ou o tofu (especialidade oriental que se obtém pela fervura da bebida de soja fermentada), cada vez mais procurados, nomeadamente os de origem biológica.

Outros legumes ou cereais também ricos em proteínas, como as lentilhas, a quinoa ou o seitan (elabarado à base de proteína de trigo), são também alternativas à carne.

Apesar de parecer não haver evidência de que o leite e os seus derivados possam ser afetados pela BSE, a verdade é que as alternativas a este alimento, as bebidas de cereais, principalmente as de soja, têm tido, nos últimos anos, uma procura cada vez mais crescente. Para além do seu elevado valor nutritivo, são 100% de origem vegetal, grande parte é de origem biológica certificada e apresentam também uma grande variedade de sabores.

Com tanta polémica o importante é realmente estar alerta, porque o problema existe. Mantenha-se informado e prefira alimentos de qualidade, pois é a sua saúde que está em jogo.

Por Pedro Lôbo do Vale, Médico de Medicina Geral e Familiar

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