"O nosso trabalho sugere que a carga ácida na dieta pode ser uma variável nutricional a ser considerada no fenótipo sobrepeso ou obesidade/asma em crianças", afirmou hoje, em declarações à Lusa, Pedro Cunha, jovem investigador da FCNAUP.

O estudo, publicado na revista científica Nutrients, mostra "pela primeira vez" que a asma e a carga ácida na dieta [provocada por alimentos ricos em proteínas] podem estar "associadas" a crianças com sobrepeso ou obesidade.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores analisaram dados sobre o diagnóstico de asma, a função pulmonar [o pulmão tem um importante papel no desenvolvimento da asma e no sistema de amortecimento da carga ácida] e a ingestão alimentar de 699 crianças do Porto, com idades entre os 7 e 12 anos, sendo que destas, 156 apresentavam excesso de peso e 92 obesidade.

"Sabendo que o principal mecanismo de manter o equilíbrio é a ação renal, não descartamos a ideia de que o pulmão, através do seu mecanismo de excreção de dióxido de carbono, pode desempenhar um papel importante na manutenção do equilíbrio quando há uma ingestão com excesso de carga ácida", explicou Pedro Cunha.

Além destes dados, os investigadores recorreram também uma equação de potencial de carga ácida renal (PRAL) que permite determinar se os alimentos são promotores de produção de ácidos e apresentam valores positivos como a carne e o peixe, ou se tem precursores alcalinos e apresentam valores negativos como as hortícolas e a fruta.

À Lusa, Pedro Cunha adiantou que o presente estudo tem algumas "limitações", sendo que a principal é a incapacidade de estabelecer uma relação causal entre a carga ácida nas dietas e o desenvolvimento de asma, acreditando, contudo, que o estudo, ao sugerir um "vínculo" entre a obesidade e a asma, destaca a necessidade e importância de uma dieta rica em vegetais e frutas.

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