Os conquistadores espanhóis e portugueses trouxeram do Novo Mundo outros vegetais preciosos, como a batata e o milho, mas nenhum deles se compara ao precioso feijão no que diz respeito ao fornecimento de proteínas, até então praticamente só disponíveis na carne e por isso reservado, quase em exclusivo, às classes mais abastadas e não ao povo miúdo.

Em Portugal, o feijão tornou-se de tal forma parte da gastronomia nacional que está presente desde os pratos de peixe, como o bacalhau com feijão-frade, aos de carne, pense-se na posta barrosã com feijão à moda de Arcos de Valdevez, passando pela doçaria, nomeadamente pelo típico pastel de feijão de Torres Vedras. Mas, são as feijoadas, nas suas múltiplas variantes, as verdadeiras testemunhas do valor inestimável que o feijão assume na gastronomia portuguesa. A feijoada permite todos os inventivos devaneios, mas mantém intocável a identidade de raiz e marca – sempre feijões. A feijoada portuguesa funda-se na cultura do Povo, seus ócios e lazeres, suas térreas lareiras, férreas panelas de três pernas, tão negras como a vida suada de quem nelas cozinha e delas come.

Feijão: A grande proteína que nasceu no Novo Mundo e mudou o rumo à Europa

A origem do feijão

Em relação à origem do feijão, esta não é muito clara. Botanicamente é comum apontarem-se raízes americanas ao feijão, no entanto outras fontes, como o “Larousse gastronómico”, referem ter aparecido esta leguminosa na Europa do século XIV, ou seja, seria anterior à viagem de Colombo. Existem ainda documentos mais antigos, de origem hispano-árabe, datados do século XI que referem já quarenta receitas de feijões.

Feijão: A grande proteína que nasceu no Novo Mundo e mudou o rumo à Europa

O que é certo é que na Europa existiam desde tempos remotos várias espécies de leguminosas aparentadas com o feijão, este propriamente dito, nas suas variedades mais conhecidas, é originário do continente americano. Os índios navajos, que viviam no que hoje são os Estados Unidos, consideravam-no mesmo uma planta sagrada. No entanto, aquando da sua introdução na Europa e depois na África e na Ásia, o feijão levantou muitas suspeitas, talvez devido às velhas teses gregas de que o consumo de leguminosas poderia conduzir à demência. O filósofo Pitágoras era um dos defensores dessas ideias.

Os benefícios do feijão

Na verdade, nada de mal havia a temer do feijão, bem pelo contrário. Poucos alimentos  contêm tantos elementos nutritivos como esse vegetal. A título de exemplo, diga-se que um taça com 250 ml de feijões vermelhos fornece 14 gr de proteínas (o suficiente para uma refeição equilibrada), 4 mg de ferro (o dobro de uma pequena quantidade de carne magra), 9 gr de fibras alimentares (tanto como uma taça de cereais), 560 mg de potássio (ou seja, tanto como uma laranja ou duas batatas) e por aí fora. Assim, os nutricionistas consideram o feijão um excelente alimento, desde que seja acompanhado por cereais, nomeadamente arroz, por batatas ou legumes frescos.

Feijão: A grande proteína que nasceu no Novo Mundo e mudou o rumo à Europa

Há medida que o feijão se foi impondo na dieta dos povos do Velho Mundo, graças ao seu valor nutritivo, começaram a surgir em vários países atribuições de carácter medicinal, nem sempre comprovadas cientificamente. Os japoneses, por exemplo, produzem um sumo de feijão preto que julgam adequado para combater a prisão de ventre. Ao feijão são também atribuídas qualidades anti-cancerígenas, anti-colesterol, anti-diabéticas e anti-problemas cardíacos. Umberto Eco geralmente sabe do que fala.

Finalmente, algumas dicas para cozinhar o seu feijão

- Se colocar uma colher de fermento em pó na água onde demolha o feijão ele ficará mais macio.

- O feijão cozinhará em menos tempo se lhe der primeiro uma fervura durante cinco minutos.

- O azeite amacia o feijão durante a cozedura.

- O feijão só deve ser temperado com sal quando estiver concluído o cozimento.

- Se o feijão ficar muito salgado deve juntar-lhe algumas folhas de couve que absorverá o excesso de sal.

- Se o feijão queimar, transfira para outra panela a parte que não está queimada e junte-lhe uma cebola inteira, com casca e lavada. Leve de novo ao lume. O feijão perderá o gosto a queimado.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.