Uma equipa de cientistas da Universidade de Warwick, em Inglaterra, publicou, na passada segunda-feira, um estudo no jornal Molecular Autism, anunciando a descoberta de uma correlação entre as doenças do espetro do autismo depois de analisarem o sangue de crianças diagnosticadas com essas doenças. Uma situação que poderá dar origem a análises inovadoras ao sangue e à urina que as poderão vir a detetar precocemente.

No entanto, passada a euforia inicial, surgem as primeiras críticas públicas. Vários especialistas internacionais já vieram a público dizer que o trabalho desenvolvido pelos investigadores britânicos é "interessante enquanto estudo mas está tudo menos perto de estar na origem de um novo teste de diagnóstico do autismo", como escreve o jornalista Rich Haridy, autor de uma reportagem sobre a investigação britânica.

"Não nos diz em que medida efetiva [a análise] consegue fazer a diferenciação entre o autismo e outros problemas de desenvolvimento do foro neurológico ou mental", critica James Cusack, diretor do Departamento de Ciências da instituição de apoio britânica Autistica. "A análise feita tem em conta os padrões metabólicos de crianças com sete e oito anos", sublinha Max Davie, especialista do Royal College of Paediatrics and Child Health.

"Não há dado nenhum que nos garanta que as crianças mais pequenas tenham o mesmo padrão", contesta o especialista. A equipa que desenvolveu o estudo é a primeira a reconhecer as suas debilidades, admitindo a necessidade de o aprofundar. "É importante não receber [a notícia desta descoberta] com muito entusiasmo. Se [essa análise] for generalizada, pode gerar um grande número de falsos positivos", adverte Max Davie.

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