A tiroide é uma glândula localizada na base do pescoço, imediatamente abaixo da maçã de adão, como vulgarmente chamam a esta protuberância. Tem a forma de uma borboleta, extendendo cada asa, também conhecida por lobo, sobre cada um dos lados da traqueia. As funções da tiroide são produzir, armazenar e libertar para a corrente sanguínea as hormonas tiroideias. Também designadas T3 e T4, regulam o metabolismo corporal.

Para além dessa função essencial, regulam também o funcionamento dos órgãos. Estas hormonas influenciam o batimento cardíaco, o nível de colesterol sanguíneo, o peso corporal, o nível energético, a força muscular, a memória e muitas outras funções corporais. Se a tiroide produzir um nível insuficiente de hormonas, o organismo reduz a sua atividade. Esta situação é designada tiróide hipoativa. Muitos conhecem-na como hipotiroidismo.

Em contrapartida, a tiroide pode produzir uma quantidade excessiva de hormonas, acelerando a atividade do organismo. Esta condição denomina-se tiróide hiperativa, ou hipertiroidismo. A quantidade de hormonas tiroideias produzidas pela tiroide é regulada por uma outra glândula localizada no cérebro, a hipófise, também apelidada de glândula pituitária. Uma outra parte do cérebro, o hipotálamo, contribui para esta regulação.

Assim, o hipotálamo envia informação para a hipófise. Esta, por seu turno, controla o funcionamento da tiroide. A maior parte dos carcinomas da tiroide são constituídos pelas formas de carcinoma diferenciado, que pode ser papilar e folicular. Os carcinomas diferenciados da tiroide são, por norma, de evolução lenta. Muitas das vezes têm uma resposta positiva ao tratamento e apresentam uma maior taxa de cura.

A ameaça do cancro da tiroide

O carcinoma papilar tende a ocorrer entre os 30 e os 50 anos. O carcinoma folicular tende a ocorrer em doentes que são relativamente mais velhos do que os doentes que sofrem de carcinoma papilar, acima dos 40 anos. Considera-se que o carcinoma folicular é mais agressivo do que o papilar. Pode invadir os vasos sanguíneos e, a partir desse ponto, originar metástases à distância, sobretudo nos pulmões e nos ossos.

Geralmente, o carcinoma de células de Hürthle, uma forma ainda mais agressiva de carcinoma folicular, ocorre em indivíduos com mais de 60 anos. Apesar de pouco frequente, a taxa de incidência anual do carcinoma diferenciado da tiroide em todo o mundo corresponde, em média, a cerca de 10 casos por cada 100.000 indivíduos. Um número que varia, no entanto, de continente para continente, afirmam cientistas.

A incidência de novos casos de carcinoma da tiroide é duas a quatro vezes mais elevada nas mulheres do que nos homens. Na União Europeia, o carcinoma da tiróide afeta cerca de 25.000 pessoas todos os anos. Em Portugal, os dados do IARC Cancer Databases - GLOBOCAN 2002, no início do século, reportam 88 casos em homens e 445 em mulheres e, em termos de mortalidade, 21 casos em homens e 54 em mulheres.

Especialistas atentos à evolução do problema

Foi elaborado em Portugal, no início da década de 2010, o Consenso para o Tratamento da Tiróide, um documento desenvolvido por um grupo de especialistas da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. Como explicou na altura Fernando Rodrigues, endocrinologista, a intenção era desenvolver uma estratégia de prevenção e de combate à doença, uma preocupação que ainda se mantém atual.

"O protocolo pretende proporcionar linhas de orientação que possam servir de base a uma prestação de cuidados articulada entre todos aqueles que se encontram envolvidos na assistência aos doentes com carcinoma diferenciado da tiroide de origem folicular", justificou, então, o especialista. Até essa altura, nunca tinham sido implementadas em Portugal normas especificamente direcionadas para o tratamento deste cancro.

Apesar de não ser um tipo de cancro comum, a maioria dos cancros de tiroide pode ser tratada com sucesso e a taxa geral de sobrevida de cinco anos é de 96%. Mesmo quando o tratamento é bem sucedido, é importante que os doentes façam exames de rotina para avaliar a presença de recorrência. Isto porque até 35% dos cancros da tiroide podem voltar a surgir e um terço destes só surgem 10 anos após o tratamento inicial.

O acompanhamento do carcinoma da tiroide

Existem muitas opções para acompanhar clinicamente o carcinoma da tiroide. Os tratamentos mais comuns incluem a remoção cirúrgica do carcinoma, tiroidectomia, seguida de terapêutica com iodo radioativo, denominada ablação dos resíduos, para eliminar tanto as células tiroideias normais como as cancerígenas. Este é um passo importante, dado que ajuda eliminar todas as células tiroideias potencialmente cancerígenas nesta fase.

As que não tenham sido removidas durante a cirurgia podem ser removidas através deste procedimento. Na ablação do tecido residual, os doentes tomam uma bebida ou uma cápsula com iodo radioativo. Quaisquer células tiroideias remanescentes absorvem este radioiodo, que as eliminará. Após a conclusão do tratamento inicial, recomenda-se uma terapêutica de supressão hormonal da tiróide, também apelidada de THST. Este tratamento consiste em administrar uma hormona (levotiroxina, ou T4 sintética) que substitui as hormonas que seriam produzidas pela glândula tiróide.

Este processo também assegura a regulação do organismo. Desta forma, é assegurada a manutenção de uma vida normal após tiroidectomia. Além disso, esta THST suprime os níveis de TSH, a hormona de estimulação da tiroide, produzida pela hipófise (ou glândula pituitária), que poderia aumentar a probabilidade de recidiva do carcinoma da tiróide, devido à sua capacidade de estimulação do crescimento de células tiroideias.

O que sucede após o tratamento inicial

Após a terapêutica inicial (tiroidectomia), é necessário realizar exames de seguimento para avaliar a presença de recidiva ou metástases. Estes exames de diagnóstico englobam um doseamento de tiroglobulina com ou sem associação a cintigrafia corporal e permitem identificar atividade de células tiroideias. A deteção precoce de uma recidiva permite uma intervenção imediata, aumentando a probabilidade de sucesso do tratamento.

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