"Os rumores infundados sobre as vacinas contra o HPV continuam a adiar ou a impedir de modo desnecessário o aumento da imunização, que é urgentemente necessário para a prevenção do cancro cervical", disse Elisabete Weiderpass, diretora do Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro (CIIC) da Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com os dados do CIIC, em 2018 foram diagnosticados quase 570.000 novos casos de cancro do colo do útero em todo o mundo.

Mais de 300.000 mulheres morrem anualmente vítimas da doença, principalmente em países de baixo e médio rendimento.

"Este é o quarto tipo de cancro mais comum entre as mulheres", recordou o CIIC. A organização calcula que se a prevenção não aumentar, a doença pode provocar 460.000 mortes por ano até 2040.

A médica especialista da Organização Pan-Americana da Saúde (OPS) Lúcia Helena de Oliveira diz que, se for alcançada uma taxa de 80% da vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV), o cancro do colo do útero será eliminado em 10 ou 15 anos. Por isso, Lúcia Helena de Oliveira afirma que para eliminar este tipo de cancro nos próximos anos é necessário chegar a 80% da vacinação das meninas e adolescentes.

A especialista elogia a vacina contra o HPV ao considerá-la "eficaz e segura" e afirmou que deveria ser aplicada em meninas entre os 9 e os 14 anos, idade na qual, emmédia, se inicia a atividade sexual.

Em Portugal

Em Portugal, o cancro no útero é o mais comum, considerando os tumores do sistema reprodutor feminino; representa cerca de 6% de todos os cancros nas mulheres.

Todos os anos são diagnosticados cerca de mil novos casos de cancro do colo do útero em Portugal, sendo o país da Europa Ocidental com a taxa de incidência mais elevada deste tipo de cancro. Nas últimas décadas, o número de casos de cancro do colo do útero diagnosticados anualmente tem vindo a diminuir, sobretudo pela sensibilização da importância do rastreio.

A importância de não esperar por sintomas

As alterações pré-cancerígenas e os cancros precoces do colo do útero não tendem a provocardor ou outros sintomas. É importante não esperar até surgirem dores para consultar o médico. Quando a doença se agrava, a mulher pode apresentar um ou mais dos seguintes sintomas:

- Hemorragia vaginal anormal: entre períodos menstruais regulares; após relação sexual; períodos menstruais mais prolongados; hemorragias após menopausa;

- Aumento do corrimento vaginal;

- Dor pélvica;

- Dor durante as relações sexuais.

Porém, estes sintomas podem também dever-se a infeções ou outros problemas de saúde e só o médico está habilitado a fazer esta avaliação.

As mulheres que tenham algum destes sintomas devem informar o médico, para que seja possível diagnosticar e tratar atempadamente eventuais problemas.

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