Estima-se que todos os anos 200 pessoas sejam vítimas deste carcinoma, que tem um milhar de novos casos anual. É relativamente raro, constituíndo apenas 2 a 3% do total de tumores malignos em Portugal. É mais raro que outros tumores, como o da próstata. E se são os homens com mais de 50 anos os mais afetados, este é um tumor que não faz distinção de género ou idade, registando-se casos de forma transversal.

É o seu carácter disseminativo e não discriminativo, além de discreto, que tornam urgente alertar a população para o Cancro do Rim. Para a sua existência. Para as suas consequências e para a importância absolutamente fundamental de rastrear e detetar este carcinoma precocemente. O tempo, no cancro do rim, como em outros, mas aqui de forma mais premente, é chave.

Porque se não for detetado num exame de imagiologia através de, por exemplo, uma ecografia de rotina, este tumor passa completamente despercebido, como já vimos. Isto acontece porque o cancro do rim só apresenta sintomas em fases muito avançadas e mais difíceis de tratar. É nessa altura que surge a tríade sintomática: o aparecimento de sangue na urina, dores lombares e uma massa que se sente na palpação.

Temos a sorte de viver numa época em que o desenvolvimento tecnológico já permitiu o aparecimento de técnicas de imagiologia, como ecografias que permitem detetar o cancro do rim muito antes de chegar a esta fase avançada em que existem sintomas. Falta apenas que os cidadãos estejam alerta para a possibilidade de um cancro de rim. Que se dirijam aos seus médicos de família – quantas vezes a consulta de rotina é adiada porque não se tem tempo? É importante que indo ao médico de família, os portugueses perguntem sobre a possibilidade deste tipo de tumor e estejam despertos para a necessidade fazer uma ecografia abdominal de forma preventiva, mesmo que não hajam quaisquer queixas.

É crucial fazer de forma rotineira uma ecografia abdominal

Em tantas patologias, a realização de exames de diagnóstico de forma proativa são fundamentais para a deteção de forma atempada, para o diagnóstico precoce, fundamental para conseguir um tratamento a tempo, que permita controlar a evolução da doença. No cancro do rim, não me canso de sublinhar, é crucial fazer de forma rotineira uma ecografia abdominal.

É isso que que nos vai permitir tratar de forma mais cabal, com maior eficácia, maior sucesso a longo prazo e com menos efeitos adversos.

Porque, como é o caso de muitos outros tipos de cancro, quando o carcinoma do rim é detetado de forma precoce, as opções de tratamento aumentam e têm também uma eficácia e perfil de segurança aumentados. Desde logo com cirurgia, se for detetado numa fase precoce, com a excisão do rim total ou mesmo parcial em alguns casos, sem riscos em termos de sobrevida e de propagação em relação à parte maligna. Com a doença mais avançada, ou com metástases, há também soluções como a quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia. Mas aqui já perdemos tempo precioso que nos permite aumentar a taxa de sucesso.

É por isso que é fundamental que os portugueses tenham consciência do cancro do rim, e da importância do diagnóstico precoce, como forma de garantir tratamento a tempo.  Para que fiquem mais alerta para a importância de fazer uma ecografia abdominal. Em todas as idades, mas sobretudo a partir dos 50 anos, altura em que existe maior risco.

Um artigo do Professor Fernando Calais da Silva, médico urologista e chairman no Grupo Português de Génito-Urinário.

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