No relatório diário, a comissão de saúde da província, a mais afetada pela epidemia, indicou que o contágio em Hubei continua a alastrar, com 1.347 novos casos diagnosticados. Em todo país foram registados cerca de 12.000 infectados pelo vírus.

"Estou cheio de culpa e remorso. Se eu tivesse tomado medidas restritivas antes, o resultado teria sido melhor do que é hoje", aformou Ma Guoqiang, secretário do Partido Comunista Chinês (PCC), numa situação pouco admissão de responsabilidade de um político chinês.

O embaixador chinês nas Nações Unidas em Genebra, Xu Chen, disse que "não há necessidade de entrar em pânico desnecessariamente ou tomar medidas excessivas" e observou que "a Organização Mundial da Saúde (OMS)" confia plenamente na China".

Mas as medidas continuam a aumentar. O governo dos Estados Unidos pediu a seus cidadãos que evitem viagens à China, depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter declarado emergência internacional.

Num comunicado oficial, o Departamento de Estado emitiu uma advertência de viagem de nível quatro, para pedir aos americanos que "não viajem" para a China devido à epidemia provocada por um novo coronavírus.

O governo do Japão também advertiu os seus cidadãos que evitem viagens não essenciais à China, anunciou o primeiro-ministro, Shinzo Abe.

Após uma reunião em Genebra na quinta-feira, a OMS declarou emergência internacional por causa epidemia, depois de fortes críticas pela demora da organização em alertar sobre a gravidade do cenário. "Declaro a epidemia uma emergência de saúde pública de alcance internacional", declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, depois de uma reunião em Genebra.

"A nossa maior preocupação é a possibilidade de que o vírus se propague para países com sistemas de saúde mais frágeis (...). Não significa desconfiança para com a China", assegurou.

Na quinta-feira, o diretor-geral afirmou que a entidade não apoia a restrição de viagens de e para a China. "A OMS não recomenda e de facto opõe-se a qualquer restrição", a viagens e comércio, afirmou.

Moradores de Wuhan repatriados

Devido ao número de chineses diagnosticados com o vírus no exterior, o governo da China decidiu enviar aviões para repatriar cidadãos de Wuhan que estão fora do país, para levá-los de volta à cidade "o mais rápido possível", informou esta sexta-feira o ministério dos Negócios Estrangeiros.

Esta decisão deve-se às "dificuldades práticas que os cidadãos da província de Hubei, especialmente os da cidade de Wuhan, estão a ter no exterior", explicou Hua Chunying, porta-voz do ministério.

Vários países não estão prontos para lidar com a epidemia, advertiu anteriormente o Conselho de Supervisão de Preparação Global (GPMB), um organismo internacional de monitorização com sede em Genebra.

Embora a grande maioria dos casos esteja na China, sobretudo na província de Hubei e na cidade de Wuhan, outros 18 países, segundo a OMS, reportaram casos, com maior frequência em pessoas que chegam da China.

Contaminação local

Nos Estados Unidos, uma mulher contaminou o marido no estado do Illinois, no primeiro caso de transmissão local registado no país, anunciaram as autoridades sanitárias esta quinta-feira.

O paciente, que não viajou para a China, encontra-se em situação "estável", mas complicada por alguns problemas de saúde anteriores, disse Jenniffer Layden, diretora médica estadual. Este último registo eleva para seis o número de casos confirmados de coronavírus nos Estados Unidos.

Perante o crescimento acelerado de novos diagnósticos positivos, o Departamento de Estado americano pediu, esta quinta-feira, aos seus cidadãos que "não viagem" para a China, elevando o seu alerta para o nível mais alto em relação à epidemia.

O órgão recordou que na semana passada tinha ordenado a saída de todos os funcionários americanos que não exercem funções de emergênica e dos seus parentes de Wuhan.

O número de pacientes infectados na China continental já ultrapassa os 11.000, muito acima das 5.327 pessoas infectadas em 2002 e 2003 pela SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Há quase 20 anos, este coronavírus deixou 774 mortos no mundo, 349 deles na China.

Wuhan, uma metrópole de 11 milhões de pessoas na região central da China, está de quarentena e isolada do mundo há uma semana, assim como quase toda província de Hubei.

As 56 milhões de pessoas que vivem na área isolada, o que inclui milhares de estrangeiros, não podem sair da região.

Japoneses infectados evacuados

Um cruzeiro com sete mil pessoas a bordo foi posto de quarentena no porto de Civitavecchia, perto de Roma, devido a casos suspeitos de coronavírus a bordo. Exames preliminares numa passageira chinesa descartaram a presença da infecção.

Os exames realizados pelos especialistas do hospital romano Spellanzani "deram resultado negativo", disse uma fonte do ministério da Saúde, razão pela qual os seis mil turistas a bordo podiam desembarcar, se quiserem, acrescentou a imprensa local.

Estados Unidos e Japão foram os primeiros países a retirarem, na quarta-feira, parte dos seus cidadãos. Na madrugada de sexta, um avião francês decolou de Wuhan rumo a Marselha com 200 pessoas a bordo.

Essas pessoas ficarão isoladas durante 14 dias num centro de lazer especialmente preparado no sul da França, perto de Marselha, onde serão submetidas a exames.

Outros países pretendem organizar operações semelhantes. Itália anunciou o envio de um avião esta quinta, Espanha informou que a evacuação seria realizada nas próximas horas e Alemanha prevê a retirada de 90 alemães nos próximos dias. O Canadá também irá fretar um avião e Portugal tem um avião a caminho da China.

Dos 195 americanos que chegaram na quarta-feira a uma base militar na Califórnia, nenhum apresentava sintomas do vírus. Todos permanecerão isolados durante 72 horas.

No entanto, no Japão, dos 206 repatriados três estavam infetados, somando-se aos oito casos já registados previamente. "Uma das três pessoas que apresentaram resultado positivo já desenvolveu os sintomas, mas as outras duas, não", disse o ministro da Saúde, Katsunobu Kato.

Transmissões entre humanos foram registadas em três países, além da China e dos Estados Unidos: Alemanha, Japão e Vietname.

Várias companhias aéreas, como a British Airways, a alemã Lufthansa, a espanhola Iberia, a francesa Air France e a indonésia Lion Air suspenderam os voos para a China.

Os governos de Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos recomendaram que os seus cidadãos evitem viajar para este país. E, esta quinta-feira, a Rússia anunciou que vai fechar a fronteira com a China.

O ministro israelita da Saúde anunciou na quinta a proibição para todos os voos procedentes da China devido à epidemia do novo coronavírus.

Férias adiadas

Wuhan, no coração da epidemia, parece uma cidade fantasma há vários dias. No restante do país, os moradores evitam frequentar shoppings, cinemas e restaurantes.

Na luta para travar a propagação do vírus, o governo chinês prolongou a o tempo do Ano Novo lunar até 2 de fevereiro, com o objetivo de evitar os grandes deslocamentos de pessoas nos transportes.

O país cancelou várias competições desportivas internacionais, como as provas do Mundial de Ski alpino. Esta quinta-feira, as autoridades anunciaram o adiamento do início da temporada 2020 de futebol.

Grandes empresas como Toyota, IKEA, Starbucks, Tesla, McDonald's e a Foxconn decidiram suspender de forma temporária a produção, ou fechar suas lojas na China.

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