Cientistas holandeses e dos Estados Unidos discutiram os desafios necessários para prevenir aquilo a que chamam de "pandemia" que continua a estender-se a várias regiões do mundo e que pode tomar proporções enormes nos próximos anos.

O que é a Doença de Parkinson?

A Doença de Parkinson é uma perturbação cerebral progressiva para a qual têm surgido tratamentos promissores. A patologia caracteriza-se pela presença de tremores, rigidez do tronco e dos membros e lentidão dos movimentos.

Esta doença resulta da redução dos níveis de dopamina, uma substância que funciona como um mensageiro químico cerebral nos centros que comandam os movimentos.

Estima-se que cerca de 20 mil portugueses sofram da doença de Parkinson.

Segundo a equipa, as doenças neurológicas são atualmente a principal causa de incapacidade a nível global. No entanto, a doença de Parkinson era até há poucas décadas uma doença considerada rara.

Em 1855, 40 anos após James Parkinson ter descrito a doença, morreram cerca de 22 pessoas em 15 milhões em Inglaterra e País de Gales; em 2014, o número subiu para 5.000 a 10.000 pessoas em 65 milhões. Entre 1990 e 2015, o número de doentes com Parkinson duplicou globalmente, tendo ascendido a mais de seis milhões, asseveraram os investigadores no relatório agora publicado. Estima-se que este número duplique de novo em 2040, para 12 milhões.

"Até 2040, poderemos falar sobre uma pandemia que resultará num aumento do sofrimento humano, assim como no aumento dos custos sociais e médicos", comenta Patrik Brundin, médico e editor-chefe do Journal of Parkinson's Disease.

Outros fatores de risco

Os cientistas frisam ainda que a crescente longevidade, a menor taxa de fumadores e os subprodutos da industrialização poderão elevar o número para mais de 17 milhões.

A esperança de vida global aumentou seis anos nos últimos 20 anos. Isto só por si irá provavelmente aumentar o número de casos avançados de Parkinson, que são mais difíceis de tratar, por serem diagnosticados geralmente tarde demais.

Fumadores protegidos?

Segundo estudos já publicados, os fumadores têm 40% menos riscos de desenvolver Parkinson. Se esta associação for causal, a redução na taxa de fumadores poderá fazer aumentar os casos da doença. Por outro lado, a exposição aos subprodutos da industrialização como certos pesticidas, solventes e metais pesados foram já associados a um aumento na taxa de casos da doença de Parkinson.

"No século passado, a sociedade conseguiu confrontar-se, com sucesso, com pandemias de poliomielite, cancro da mama e VIH/SIDa", comentou Ray Dorsey, autor que liderou o debate, da Faculdade de Medicina da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, que frisou que a pandemia de Parkinson "é evitável e não inevitável".

Por isso, o cientista propõe a formação de um "PACT": as iniciais de "prevent, advocate for, care and treat", o que significa prevenir, defender-se, cuidar e tratar.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.