"Sempre disse que a solução para combater a covid-19 está na inovação, mas a inovação pode vir de vários sítios, podemos e devemos encorajar a medicina tradicional africana, como se faz com a chinesa, mas temos de garantir que a segurança do remédio é garantida, que a eficácia é assegurada e que os padrões de qualidade são aplicados de forma transversal e abrangente", disse John Nkengasong durante a conferência de imprensa semanal.

No encontro, Nkengasong lembrou que está a ser criado uma comissão para estudar a eficácia de remédios tradicionais apresentados por alguns países, como Madagáscar e o Gana, como tendo potencial para combater a covid-19 e apontou: "Somos a favor da utilização de remédios tradicionais, devemos tornar isso formal e fazê-lo de forma organizada e centralizada". 

Especificamente sobre a Covid Organics, um chá que as autoridades de Madagáscar garantem curar a COVID-19, apesar de não haver estudos que o comprovem, John Nkengasong disse que apoia a sua utilização, mas está "à espera que o Governo de Madagáscar envie um dossier com as conclusões científicas".

O chá, amplamente noticiado na comunicação social e cujos efeitos estão por provar, foi também utilizado em alguns países lusófonos, como a Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, mas sem que seja conhecido qualquer caso de cura devido a este chá.

Madagáscar registou oficialmente 7.548 casos de COVID-19, incluindo 65 mortes, mas nos últimos dias o país assistiu a um aumento significativo do número de casos que está a estrangular a capacidade hospitalar, segundo uma reportagem da agência de notícias francesa, a AFP, divulgada esta semana, e na qual os diretores dos principais hospitais da capital alertavam para a falta de camas para tratar os doentes infetados com a covid-19.

Na conferência de imprensa semanal, o diretor do CDC África disse ainda que o aumento de 19% no número de casos está em linha com os números da semana passada, representando um aumento de 123 mil novos casos, o que equivale a 17 mil casos por dia.

"Ainda temos uma forte hpótese de afastar a pandemia, por exemplo através da generalização da utilização de máscaras" e mantendo o cumprimento das recomendações da autoridades sanitárias", conclui o responsável.

A pandemia de COVID-19 já provocou mais de 617.500 mortos e infetou mais de 15 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Vídeo - COVID-19: O que acontece ao vírus quando entra em contacto com o sabão?

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