Estima-se que cerca de 20 a 30 por cento da população feminina, jovem e na idade adulta, apresenta sinais de incontinência urinária.

Apesar de serem dados alarmantes, para Luís Abranches Monteiro, urologista, os números existentes sobre este problema «não espelham seguramente a sua extensão, tanto mais que uma grande parte das pessoas incontinentes não procura ajuda profissional».

Em risco

Ambos os sexos são propensos ao aparecimento de incontinência urinária, contudo, as mulheres parecem ser um alvo fácil para «um dos tipos mais frequentes de incontinência urinária devido ao parto, à vida sedentária e à fase pós-menopausa», esclarece o urologista.

Também os homens, em qualquer idade, podem ter perdas urinárias involuntárias. «Globalmente o próprio envelhecimento da bexiga predispõe à sua falta de controlo», sublinha.

As causas

Existem duas causas primordiais para esta patologia. Na primeira, como refere Luís Abranches Monteiro, «a uretra perde o apoio dos músculos que a envolvem e que impedem as perdas quando se aumenta subitamente a pressão abdominal. Esta é a causa mais frequente nas mulheres já referidas e que se queixam de perdas quando tossem, espirram ou noutras actividades físicas».

A segunda consiste «numa desregulação da bexiga que, sem aviso, se contrai de forma suficientemente intensa para seesvaziar, pelo menos parcialmente. As perdas são maiores, habitualmente acompanhadas de intenso desejo miccional e podem ocorrer em repouso», explica.

Atitude certa

Para evitar que a incontinência urinária venha a afectar a sua qualidade de vida deve combater «o sedentarismo, aprender os exercícios adequados. A boa utilização da bexiga, isto é, o urinar frequentemente é fundamental», aponta o urologista.

Face à perda de urina involuntária deve procurar a ajuda médica. Para além dos especialistas em Urologia, «alguns ginecologistas se dedicam a este problema. O que importa é que o doente recorra a um médico que esteja familiarizado com a metodologia de diagnóstico e com as opções de tratamento», defende.

No médico

Na consulta, o médico começará por «ouvir o doente e observar correctamente os órgãos envolvidos», relata Luís Abranches Monteiro. Podem ser necessárias ecografias da bexiga ou «estudos mais aprofundados, mas sempre fáceis de executar sem dor envolvida», tranquiliza.

Quanto ao tratamento, «na incontinência dita de esforço a terapêutica é fundamentalmente cirúrgica e na outra [desregulação da bexiga] é medicamentosa». Graças aos avanços da última década, a cirurgia «pode, em certos casos, ser feita sob anestesia local e em regime de ambulatório» diz o urologista.

Ginástica preventiva

Os exercícios de Kegel, que consistem na contracção e descontracção dos músculos pélvicos, ajudam evitar esta patologia. Treine estes passos:

1. Sentada na sanita interrompa o fluxo de urina (se o conseguir está a usar os músculos correctos).

2. Suponha que está a impedir a saída de gases e contraia os músculos. Se tiver uma sensação de «puxar», indica que está a fazer o exercício correcto.

Texto:
Leonor Noronha com Luís Abranches Monteiro (urologista)

A responsabilidade editorial desta informação é da revista


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