Algumas células resistentes a tratamentos oncológicos libertam-se dos tumores e viajam através da corrente sanguínea e linfática, reinstalando-se noutros órgãos. Lá, ficam adormecidas, dias, meses e até anos, acabando por provocar recidivas oncológicas. Estes "cavalos de Tróia", as DTC, são um enigma para a ciência, que desconhece exatamente o seu modo de funcionamento, sobretudo porque este é muito variável de cancro para cancro e de caso clínico para caso clínico.

O investigador e professor universitário Héctor G. Palmer, do Grupo de Células Estaminais e Cancro do Instituto de Oncologia Vall d'Hebron, em Barcelona, descobriu, porém, que é uma enzima chamada TET2 que controla a sobrevivência destas células, revela um novo estudo.

Essa enzima pode funcionar também como biomarcador para identificar estas células descritas como "autênticas bombas-relógio". Ao jornal espanhol El País, Héctor G. Palmer explicou que esta descoberta, fruto de uma investigação de 10 anos, possibilita a criação de fármacos que persigam e eliminem este tipo de células resistentes.

Héctor G. Palmer
Héctor G. Palmer com a equipa do Instituto de Oncologia de Vall d'Hebron créditos: VHIO

Novas terapias

A maioria dos fármacos utilizados - como a a quimioterapia - consegue matar algumas células cancerosas que se propagam pelo corpo, mas não as adormecidas que permacem escondidas. Os tumores são formados por células alteradas que crescem e se multiplicam de forma contínua.

As células que não morrem ficam no corpo, algumas delas escondidas, podendo a qualquer momento dar origem a novas formações tumorais. Para identificar estas células, foi decisivo definir a atividade do fator TET2. "Este fator organiza a atividade do genoma e obriga a célula a dormir, sem que esta perca o seu potencial maligno", esclarece o investigador ao referido jornal. A investigação prova ainda que a eliminação de TET2 mata as células tumorais adormecidas.

"A partir do momento em que identificámos a TET2 como o calcanhar de Aquiles destas células, temos estado a focar-nos no desenvolvimento de novos inibidores para bloquear a atividade desta enzima. Este novo arsenal anti-cancro é, assim, uma promessa para contrariar a resistência [destas células] e prevenir o regresso da doença em alguns doentes", explica a investigadora Isabel Puig, da equipa de Héctor Palmer, e a principal autora deste estudo publicado na revista científica "Journal of Clinical Investigation".

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