A ex-estrela do basquete feminino, Afra Ndeve, 47 anos, conta como abandonou o vício do tabaco

Sapo Saúde: Quando e como começou a fumar?

Afra Ndeve: Comecei a fumar dois anos depois de me casar, precisamente em 1988. Tudo começou de forma natural, o meu marido Jorge Moura sempre fumou e nessa altura já me sentia uma fumadora passiva, pois vivia rodeada de pessoas que fumavam.

SS: Como se sentiu no início quando começou a fumar?

AN: No início, muito bom, estimulante e relaxante!

SS: Quando é que apercebeu-se que estava a muito?

AN: Quando comecei a arranjar “desculpas” para fumar. Sou gestora e o meu trabalho é de gabinete e isso, exige de mim um esforço intelectual e muita concentração. Para resolver qualquer problema tinha que fumar. Lembro-me que não fumava apenas um cigarro, mas vários cigarros.

SS: Fumava quantos maços de tabaco por dia?

AN: Fumava dois maços de tabaco por dia. Vivia em ambientes que provocavam apetência para fumar, quando acendia um cigarro, não parava por ali, fumava outro em intervalos de tempo muito curtos.

SS: Quando apercebeu-se que estava a ficar dependente da nicotina não pensou em deixar de fumar?

AN: Pensei várias vezes em deixar de fumar, cheguei mesmo a parar, mas quando voltava, voltava com muita força.

Em 1990, quando fiquei grávida do meu filho parei de fumar durante três anos, mas depois voltei a fumar e cada vez mais.

SS: O mal-estar todas as manhãs, o catarro e o cheiro do tabaco nas roupas fizeram com que abandonasse o vício do tabaco

SS: Como conseguiu parar de fumar?

AN: Parar de fumar não foi algo programado nem combinado, decidi. Na altura apercebi-me que estava a prejudicar-me, o meu rendimento a nível profissional estava a diminuir, sempre fui ligada ao desporto e quando jogava sentia-me mais cansada, sem contar com o cheiro do tabaco por toda a casa, o catarro da manhã era desagradável, o meu filho a reclamar, tudo isso fez-me pensar e parar. As campanhas de sensibilização contra o tabaco também ajudaram-me na decisão de para de fumar. Pois sou muito sensível ao sofrimento por doença e a imagem mexe muito comigo.

SS: Como foi adaptar-se a nova vida sem tabaco?

AN: Os dias que se seguiram foram muito difíceis, mas com vontade e força da mente, foi possível vencer, nada é impossível, só depende de nós.

SS: Teve algum acompanhamento ou recorreu a algum tipo de tratamento?

AN: Nada. O único vício que ganhei foi da pastilha elástica, utilizo muito a pastilha, perdi um vício mas ganhei um outro (risos).

SS: Continua a sair com o mesmo grupo de amigos. Não sente vontade de fumar quando eles fumam?

AN: Continuo a sair e a frequentar lugareds onde há fumadores e, de modo algum me faz confusão estar ao pé de fumo nem de pessoas que fumam. É-me indeferente.

SS: Sete anos passaram desde que deixou de fumar. O que mudou na sua vida?

AN: Lembro-me que quando decidi deixar de fumar, sempre que bebia álcool, aumentava também a apetência para o tabaco, mas hoje já não me faz falta. Consigo trabalhar e me concentrar, posso até ficar meses sem jogar e quando volto já não me sinto tão cansada como quando fumava. O meu único vício hoje chama-se pastilha elástica, com a qual tomo muito cuidado quando estou em público, tirando isso sinto-me uma mulher nova (risos).

SS: No Dia Mundial de Combate ao Fumo, que mensagem quer deixar àqueles que ainda fumam?

AN: Sei que não é fácil para muitos deixarem de fumar, ninguém é igual a ninguém, mas que é possível isso é. A mensagem é simples: Olhar-se para dentro de si e tomar consciência em relação à saúde, sua e à saúde dos que vos rodeiam. Pode não parecer mas o tabaco não faz mal só para os fumadores, mas também para aqueles que, mesmo não fumando, acabam levando com o fumo.

O tabaco é prejudicial e muito à saúde. É hora de escolher uma vida sem fumo, vale a pena e muito.

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