De acordo com informação do gabinete de Informação e Imprensa da Guiné Equatorial, o país registou até hoje "um total de 1.306 casos de contágio e mais de 200 doentes recuperados".

Com estes dados, a Guiné Equatorial, membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), torna-se o país com mais casos de infeção entre os Estados africanos com o português como língua oficial, ultrapassando a Guiné Bissau, que registava até agora o maior número de registos.

Sessenta por cento dos casos concentram-se na ilha do Bioko, onde se encontra a capital, Malabo, e 40 por cento na parte continental do país.

Os números foram transmitidos hoje pelos especialistas em saúde ao vice-presidente do país e responsável pelo Comité Técnico de Vigilância e Luta contra o Coronavírus, Teodoro Nguema Obiang Mangue, filho do chefe de Estado, Teodoro Obiang.

De acordo com os especialistas, entre 10 e 24 de maio, "a curva de contágios desviou-se do curso normal".

O número de mortos causado pela covid-19 no país não foi avançado, mas segundo os dados mais recentes do Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças da União Africana (África CDC) são já 12.

A Guiné Equatorial registou o seu primeiro caso confirmado de COVID-19 a 14 de março, havendo atualmente registos de transmissão comunitária tanto na região insular como na continental.

Segundo dados da UNICEF, citados num relatório sobre o país, a 27 de maio havia 764 contactos a serem monitorizados, 565 pessoas estavam em quarentena e tinham sido realizados 8.268 testes de despistagem da doença em todo o país.

"A Guiné Equatorial é um dos países com o maior número de testes per capita em África", aponta o relatório.

Durante a reunião, que serviu para avaliar o impacto da pandemia no país e analisar o levantamento gradual das medidas de prevenção da pandemia, os profissionais de saúde propuseram a adoção da testagem massiva e isolamento de todos os casos positivos, recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Foi ainda apresentado um ponto de situação do estudo sobre o produto Covid-Organics, produzido por Madagáscar para combater a doença, e do remédio local Ekuc.

A Guiné Equatorial recebeu de Madagáscar 10.000 doses preventivas e 1.500 doses curativas deste produto, uma bebida à base de artemísia desenvolvida pelo Instituto de Investigação Aplicada de Madagáscar para prevenir e curar a COVID-19.

Por seu lado, Nguema Obiang Mangue apelou para o redobrar dos esforços no combate à pandemia, reiterando que a COVID-19 não é apenas uma questão de saúde, mas de cooperação multissetorial, apelando aos cidadãos para que respeitem as medidas preventivas.

A Guiné Equatorial deverá decidir hoje, numa reunião do Comité Político do Governo, se prolonga o recolher obrigatório que vigora até 31 de maio.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné Equatorial lidera em número de infeções (1.306 casos e 12 mortos), seguida da Guiné-Bissau (1.256 casos e oito mortos), Cabo Verde (390 casos e quatro mortes), São Tomé e Príncipe (458 casos e 12 mortos), Moçambique (234 casos e dois mortos) e Angola (77 infetados e quatro mortos).

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 360 mil mortos e infetou mais de 5,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,3 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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