Depois de ter sido anunciado esta manhã o sexto caso confirmado da doença no território, o médico adjunto da direção do Centro Hospitalar Conde de S. Januário Lei Wai Seng sublinhou que todos os casos são importados e os doentes são residentes de Hubei.

"Isto significa que, até ao momento, não há transmissão na sociedade de Macau. Continuamos a acompanhar a doença e não excluímos a transmissão na comunidade", acrescentou o responsável, em conferência de imprensa.

O representante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) Wong Kim Hong, do departamento de migração, destacou que as autoridades locais recusaram hoje a entrada a todos os residentes da província chinesa de Hubei que não apresentaram uma declaração médica "em condições".

"Depois das 00:00 [16:00 de domingo em Lisboa] ninguém de Hubei conseguiu entrar em Macau" por não ter apresentado uma declaração médica que ateste não estarem infetados com o novo coronavírus, disse, sem adiantar um número.

No domingo, o Governo de Macau tinha imposto a obrigatoriedade de apresentação de uma declaração médica para qualquer residente da província de Hubei, cuja capital Wuhan é o centro do surto do novo coronavírus ((2019-nCoV). Pelo menos 80 pessoas morreram já na China, registando-se mais de 2.700 infetados em todo o mundo.

Esta declaração médica não é "um simples atestado", avançou Lei Wai Seng, e deve comprovar que a pessoa "não está infetada e para isso deve ter passado 14 dias em isolamento e sob acompanhamento médico", em estabelecimentos oficiais.

O que significa que trabalhadores não-residentes que saíram de Macau para Hubei vão ter que apresentar também essa declaração médica, tal como os residentes na província, e "se não conseguirem, também não vão conseguir entrar" no território, acrescentou no encontro diário com os jornalistas para atualização de informações sobre a pneumonia viral em Macau.

Por outro lado, o responsável do CPSP indicou que a polícia destacou 200 agentes para verificar um total de 86 hotéis, aparthotéis e pensões, operação que resultou "no auxílio à saída de Macau de 144 turistas da província de Hubei".

Quatro indivíduos aceitaram ficar em isolamento, na Pousada de Juventude de Hác-Sá, Coloane, um dos dois centros criados em Macau para casos sob observação médica.

De acordo com uma estimativa da polícia, cerca de 500 residentes de Hubei estarão ainda em Macau. A PSP está a tentar localizar estas pessoas que, caso não queiram sair de Macau, terão de ficar em isolamento.

Além do território continental da China, também foram reportados casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, França, Austrália e Canadá.

De acordo com as autoridades chinesas, a capacidade de propagação do vírus reforçou-se e as pessoas infetadas podem transmitir a doença durante o período de incubação, que demora entre um dia e duas semanas, sem que o vírus seja detetado.

Pequim decidiu prolongar o período de férias do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, que devia terminar na quinta-feira, para tentar limitar a movimentação da população.

A região de Wuhan encontra-se em regime de quarentena, situação que afeta 56 milhões de pessoas.

Alguns países, como Estados Unidos, Japão e França, estão a preparar com as autoridades chinesas a retirada dos seus cidadãos de Wuhan, onde também se encontram duas dezenas de portugueses.

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