Publicados pela revista científica britânica The Lancet e coordenados pelo investigador Joseph Dieleman do Instituto para a Métrica e a Avaliação da Saúde, em Seattle, EUA, os dois estudos fazem a projeção dos gastos nacionais em saúde e da ajuda financeira ao desenvolvimento dedicada ao sector da Saúde.
A conclusão é que o financiamento da Saúde nos países em desenvolvimento enfrenta uma crise que resulta, tanto de um baixo investimento doméstico, como da estagnação da ajuda internacional.
Como consequência, seis países da África Subsaariana não deverão alcançar, até 2040, a meta mais básica, de 86 dólares (76 euros) por pessoa gastos em saúde, o que significa que não terão recursos suficientes para assegurar cuidados essenciais de saúde.
Segundo as estimativas do estudo, Moçambique será o sétimo país do mundo com menores gastos em saúde per capita em 2040, com uma estimativa de 87 dólares (77 euros) por pessoa, apenas um dólar acima da meta definida pela Chatham House, uma organização não-governamental sediada em Londres considerada dos mais importantes grupos de reflexão do mundo.
Os seis países com menores gastos em saúde por pessoa são todos da África Subsaariana: a Somália (34 dólares/30 euros por pessoa), a República Democrática do Congo (39 dólares/34,5 euros), a República Centro-Africana (60 dólares/53 euros), o Burundi (61 dólares/54 euros), a Eritreia (62 dólares/55 euros) e o Níger (70 dólares/62 euros).
A média dos países de baixo rendimento, em que Moçambique se inclui, é de 164 dólares (145 euros) por pessoa, enquanto a média mundial é de 2.167 dólares (1.920 euros) 'per capita' gastos em saúde.
Os dados disponíveis no estudo indicam ainda que 40,5 por cento dos gastos em saúde em Moçambique em 2040 serão financiados pela ajuda ao desenvolvimento, taxa só ultrapassada, a nível mundial, pelas Ilhas Salomão e por Vanuatu.
A média é de 11,7% nos países de baixo rendimento e perto dos valores de Moçambique surgem países como a Guiné-Bissau, com 37%, a Gâmbia, com 37,8% ou a Libéria, com 36,5%.
Entre os países lusófonos, a Guiné-Bissau será o segundo com menos gastos em saúde por pessoa (126 dólares/111 euros), seguido de Timor-Leste (174 dólares/154 euros), Angola (360 dólares/319 euros), São Tomé e Príncipe (457 dólares/405 euros) e Cabo Verde (653 dólares/578 euros).
A Guiné Equatorial, país que pertence à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, gastará 1.283 dólares (1.136 euros) por pessoa em saúde e o Brasil 2.989 (2.648 euros).
Portugal despenderá 5.688 dólares (5.039 euros) em saúde 'per capita', abaixo da média dos países de alto rendimento, em que se inclui (9.019 dólares/7.991 euros)).