Duas semanas depois do início da quarentena em Hubei, província onde surgiu a pneumonia viral, a epidemia infetou já 31.161 pessoas na China continental, com 636 mortes confirmadas, de acordo com o balanço mais recente divulgado pelas autoridades.

De resto, foram já confirmados 240 casos de contágios em outros 30 países e territórios, dois deles fatais, em Hong Kong e nas Filipinas. Milhares de turistas a bordo de três cruzeiros estão bloqueados na Ásia por causa de casos de vírus a bordo.

Ao todo o vírus já matou 638 pessoas, duas delas em Hong Kong e Filipinas, as únicas vítimas mortais fora da China Continental.

Recomendações da DGS

A DGS acompanha a situação da expansão do novo coronavírus e recomenda:

  • Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.
  • Evitar o contacto próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas; evitar o contacto próximo com quem tem febre ou tosse;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes, com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  • Evitar o contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • Evitar o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;
  • Seguir as recomendações das autoridades de saúde do país onde se encontra.

A epidemia ganhou um tom político após a morte de Li Wenliang, médico de Wuhan que no fim de dezembro fez um alerta sobre o surgimento do vírus em Wuhan, capital de Hubei. Após a reação de revolta dos internautas chineses, as autoridades do país anunciaram a abertura de uma investigação sobre a sua morte.

Em comunicado, o órgão do Partido Comunista Chinês encarregado de lutar contra a corrupção anunciou o envio de uma equipa para Wuhan "para realizar um inquérito exaustivo sobre as circunstâncias relativas ao caso do médico Li Wenliang, tal como foram referidas pelas massas".

Chamado a depor pela polícia

O oftalmologista foi convocado pela polícia, que o acusou de propagar boatos juntamente com outras setes pessoas. Agora é considerado um herói nacional. "É um herói que fez o alerta e pagou com a sua vida", escreve um dos seus colegas na rede social Weibo. "Que todos os funcionários que enriquecem com dinheiro público morram debaixo da neve", afirmou um internauta, num um comentário apagado pouco depois pela censura do governo.

Li, de apenas 34 anos, morreu no hospital central da cidade, isolada do mundo desde 23 de janeiro. O oftalmologista contraiu a doença quando tratava de paciente infetados.

A sua morte ilustra a situação caótica dos hospitais de Wuhan, muito saturados. Um alto funcionário do governo provincial admitiu na quinta-feira que os profissionais de saúde não contam com equipamento de proteção contra o vírus.

Veja em baixo o mapa interativo com todos os casos de coronavírus confirmados

Se não conseguir ver o mapa desenvolvido pela Universidade Johns Hopkins, siga para este link.

Xi e Trump conversaram

Veículos da imprensa estatal como o canal CCTV e o jornal Global Times anunciaram a morte na quinta-feira, mas depois apagaram a informação das redes sociais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reagiu à notícia, sem esperar a confirmação do hospital, e expressou tristeza.

O governo central anunciou uma investigação sobre a morte do médico e a prefeitura de Wuhan deu os pêsames à família.

O presidente Xi Jinping assegurou ao seu colega americano que o país é "completamente capaz" de derrotar o coronavírus.

Também pediu ao governo dos Estados Unidos uma reação "de forma razoável" à crise. Washington proíbe a entrada no seu território de estrangeiros que passam pelo território chinês. No início da semana, a China acusou o país de "propagar o pânico".

Xi afirmou que a China está a travar "uma guerra popular" contra a epidemia, com "mobilização nacional e medidas de prevenção e controlo muito estritas", informou o canal CCTV.

Donald Trump "expressou a sua confiança na força e resistência da China para enfrentar o desafio do novo surto de coronavírus" e os dois presidentes "concordaram em continuar a ampla comunicação e cooperação", indicou a Casa Branca.

Cruzeiros bloqueados

Muitos países aumentaram as restrições à entrada de pessoas procedentes da China e não recomendam viagens ao país. Milhares de turistas e tripulantes estão confinados em cruzeiros na Ásia.

No Japão, o "Diamond Princess" permanece em quarentena após a confirmação de 61 casos a bordo. Quase 3.700 pessoas estão retidas nos seus quartos.

Em Hong Kong, 3.600 pessoas enfrentam a mesma situação no cruzeiro "World Dream", onde estão 7 passageiros com passaporte português. Três passageiros apresentaram resultados positivos para o coronavírus.

De acordo com as autoridades japonesas, outro cruzeiro, o "Westerdam", segue em direção ao país com pelo menos um caso a bordo.

Paralisação continua

Nas últimas 24 horas, a China continental registrou 73 mortes, incluindo 69 em Hubei. As autoridades contabilizaram 3.143 novos casos de contágio no mesmo período. Dos mais de 31.000 casos no país, 4.800 são considerados graves. A China regista ainda 26.000 casos suspeitos.

A taxa de mortalidade do novo coronavírus, de aproximadamente 2%, ainda é considerada muito inferior à da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que matou 774 pessoas em todo o mundo entre 2002 e 2003.

A economia chinesa pode ser afetada por um longo tempo, pois em muitas províncias a maioria das empresas e fábricas não devem retomar as atividades antes de 10 de fevereiro, na melhor das hipóteses.

A japonesa Toyota anunciou um novo adiamento, até 16 de fevereiro, da retoma da produção nas suas fábricas na China.

Um artigo de Laurent Thomet, jornalista da agência de notícias France-Presse.

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