As informações recolhidas permitem concluir que em países em que a legislação relacionada com o aborto é mais restritiva há mais pesquisas online pelos termos "pílulas abortivas", "comprimidos abortivos" ou "métodos caseiros de aborto".

Segundo a BBC, a aquisição de fármacos abortivos online, assim como a partilha de conselhos sobre aborto clandestino em grupos de WhatsApp, são cada vez mais comuns.

A análise da BBC mostra que países com leis mais duras, onde o aborto é permitido apenas para salvar a vida da mulher ou banido em qualquer circunstância, têm dez vezes mais pesquisas sobre o fármaco Misoprostol - uma substância abortiva comercializada com o nome Cytotec - do que países com menos restrições.

As leis e os métodos utilizados

Na reportagem, a radiotelevisão pública britânica refere que há dois métodos principais para induzir o aborto: a via cirúrgica ou o método farmacológica.

Em África, o Gana e a Nigéria são os dois países com mais pesquisas online por Misoprostol, de acordo com dados do Google. No Gana, o aborto só é permitido no caso de a gestação decorrer de uma violação ou incesto, se o feto apresentar anomalias ou para preservar a saúde mental da mulher. A Nigéria tem leis ainda mais rígidas: o aborto só é permitido quando a vida da mulher está em perigo, refere a estação de televisão.

Dos outros 25 países com mais pesquisas sobre Misoprostol, 11 estão em África e 14 na América Latina. Em quase todos, o aborto é totalmente proibido ou permitido em casos muito restritos.

Na Irlanda, onde o tema está em discussão pública, abortar propositadamente pode resultar numa pena de 14 anos de prisão. Um referendo em maio mostrou, porém, que a grande maioria da população – 66,4% – é a favor do fim da lei antiaborto.

De acordo com a BBC, para além das pílulas abortivas, mulheres procuram também outros métodos para induzir o aborto. "Salsinha", "canela", "vitamina C", "aspirina" e "chás de ervas" surgem como alguns dos métodos associados ao aborto que são pesquisados online. Nenhum deles é considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Pelo menos 22,8 mil mulheres morrem todos os anos como resultado de abortos inseguros, segundo o Instituto Guttmacher.