Incontinência urinária. A palavra é, ainda hoje, indissociável de vergonha e de incómodo. Esta é uma patologia cujo o nome continua a ser dito em surdina, mesmo nos consultórios médicos dos especialistas que a tratam. Apesar de afetar cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo mulheres, a perda involuntária de urina, uma das manifestações mais frequentas, continua a ser motivo de embaraço.

Para que isso deixe de acontecer, desmistificamos-lhe esta doença que, devido a características físicas e hormonais do organismo feminino, atinge sobretudo as mulheres e pode surgir em qualquer idade. "A incontinência urinária é um problema de saúde pública dada a sua alta prevalência, impacto na qualidade de vida dos doentes e elevados custos económicos", assegura Teresa Mascarenhas, ginecologista.

"Os tipos mais comuns são a incontinência de esforço, de urgência e mista", acrescenta ainda a especialista. A primeira está relacionada com a fraqueza e relaxamento dos músculos pélvicos e sucede quando a pessoa se ri, tosse, espirra, levanta pesos ou faz exercício físico. A segunda reside na incapacidade de adiar a micção depois de se sentir a vontade e está associada a infeções das vias urinárias e a hiperatividade da bexiga.

A terceira, também muito comum, resulta da combinação dos elementos anteriores. Apesar de ser muitas vezes associada às mulheres, este problema também atinge os homens. Um em cada 10 tende a sofrer deste problema numa das fases da sua vida, sendo muito comum após uma prostatectomia, uma cirurgia que implica a remoção total ou parcial da próstata, muitas vezes na sequência de tumores cancerígenos.

As principais causas

Na génese desta patologia encontramos diversas causas. "As principais são a gravidez e o parto vaginal", refere Teresa Mascarenhas. Durante a gravidez é normal as mulheres apresentarem sintomas de incontinência urinária, que deveriam desaparecer após o parto, mas em muitos casos isso não acontece, dado ao enfraquecimento dos músculos vaginais.

"Outros fatores de risco são a menopausa, que pode agravar uma incontinência já existente ou desencadeá-la, as profissões que exigem uma elevada força braçal e abdominal, a tosse crónica, o tabagismo, a obesidade, a obstipação e o desporto de alta competição", alerta ainda a investigadora.

Os tratamentos disponíveis

A solução deste problema pode passar pela toma de fármacos que actuam no músculo da bexiga e nos esfíncteres, pela fisioterapia e pela cirurgia. Esta última opção, uma solução de recurso a que muitos médicos recorrem, "é cada vez menos invasiva e tem uma taxa de sucesso de cerca de 90%", realça a ginecologista.

O processo cirúrgico, não recomendado a mulheres que queiram engravidar, é simples e rápido como explica ainda Teresa Mascarenhas. "Faz-se uma incisão mínima para introduzir uma rede entre a uretra e a vagina, que irá impedir mobilidade da primeira e substitui os músculos relaxados", refere ainda a especialista.

Os conselhos a adotar

- Beba água ao longo do dia para hidratar o organismo e não irritar a vesícula.

- Evite consumir bebidas alcoólicas e com cafeína, pois podem agravar a incontinência urinária.

- Reduza a quantidade de bebidas diuréticas que ingere. Os refrigerantes com gás, o chá e as bebidas gasosas devem ser evitadas.

- Aumente o consumo de alimentos que previnem a obstipação para preservar o períneo. Além dos figos e das ameixas, deve ingerir ingredientes alimentares ricos em fibras, como a alface, o alho-francês, as framboesas e as groselhas. Evite os citrinos e as especiarias mais fortes.

- Tenha cuidado com a roupa que veste. Os collants, as peças com muitos botões e os cintos, que demoram mais tempo a abrir, são de evitar.

- Deixe de fumar. Estudos internacionais afirmam que as pessoas que não fumam sofrem menos perdas de urina.

- Não pratique modalidades desportivas que fazem trabalhar muito os músculos do períneo, como a ginástica, a dança, a aeróbica, o atletismo, o voleibol, o basquetebol, o andebol e o badminton.

- Não engorde. O excesso de peso é um fator de risco acrescido da patologia.

Texto: Rita Caetano e Luis Batista Gonçalves (edição digital) com Teresa Mascarenhas (ginecologista)

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