Refluxo Gastro-Esofágico define-se como a passagem do conteúdo do estômago para o esófago. A maioria das vezes estes episódios são curtos, atingem apenas a parte inferior do esófago e não causam sintomas. Por vezes, o conteúdo do estômago sobe até à boca e o bebé deita fora parte do leite que ingeriu. Estes episódios podem surgir logo após a refeição ou até horas após a mesma, sendo geralmente um motivo de preocupação para os pais.

O que causa o Refluxo Gastro-Esofágico?

O Refluxo Gastro-Esofágico é um processo fisiológico e comum na infância, resultante de um conjunto de fatores, nomeadamente: a imaturidade dos mecanismos que compõem a barreira anti refluxo (que impedem a subida do conteúdo do estômago) tornando-a incompetente, a capacidade do estômago ser reduzida, a distância entre o estômago e a boca do bebê ser curta e, também, o facto da alimentação nos primeiros meses ser exclusivamente líquida e os bebés permanecerem grande parte do tempo deitados.

Quando surge?

Surge geralmente antes das 8 semanas de vida e resolve-se espontaneamente à medida que o bebé vai crescendo (melhorando gradualmente todos os fatores referidos anteriormente), na grande maioria até aos 12 meses de idade, sendo raros os casos que se mantêm para além dos 18 meses.

Como é feito diagnóstico?

O diagnóstico é feito na maioria dos casos pela informação transmitida pelos pais e pelo exame físico do bebé.

Muitas vezes, os pais referem que o bebé vomita mas na verdade regurgita. É muito importante clarificar a diferença, porque pode ter implicações na orientação diagnóstica. O bebé quando regurgita fá-lo sem esforço, parece que deita fora o excedente de leite que ingeriu, por isso com pouca projecção e sem manifestar sinais de desconforto. No vómito há sempre esforço na emissão do conteúdo do estômago pela boca.

Os sintomas que podem ajudar ao diagnóstico de Refluxo Gastro-Esofágico no bebé são:

  • Regurgitação frequente;
  • Agitação durante a refeição;
  • Tosse, soluços frequentes;
  • Desconforto momentâneo após a refeição.

Geralmente não há motivo de preocupação se o bebé, se mantém bem disposto e com boa progressão de peso. Raros são os casos que necessitam da realização de exames complementares.

Que medidas gerais podem ajudar a diminuir o volume e o número de regurgitações?

  • Procurar aconselhamento junto do Pediatra para melhorar medidas posturais do bebé durante o aleitamento , ponderar o espessamento do leite materno ou iniciar fórmula de leite para lactentes anti refluxo.
  • Não forçar a alimentação;
  • Dar refeições com menor volume de leite e mais frequentes;
  • Manter o bebé na posição vertical por período 20 a 30 minutos após a refeição;
  • Evitar manipulá-lo desnecessariamente;
  • Evitar expor ao fumo do tabaco;

Quando é que se deve consultar um Gastroenterologista Pediátrico?

  • Se não houver melhoria dos sintomas de refluxo após 15 dias de aplicação das medidas gerais;
  • Se surgirem sinais de alarme como: bebé com choro inconsolável; recusa alimentar; bebé que vomita; não aumenta bem ou perde peso ; vómitos ou fezes com sangue;
  • Se surgir refluxo pela primeira vez pelos 6 meses de idade;
  • Mantiver queixas de refluxo para além dos 12 meses de idade.

Mesmo em tempos de pandemia, os pais não devem ter receio de procurar ajuda médica. As unidades de saúde felizmente já estão a repor a actividade clínica programada com procedimentos e circuitos seguros, tanto nas consultas como na realização de exames complementares.

Um artigo da médica Filipa Santos, responsável pela Consulta de Gastrenterologia Pediátrica do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas.

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