As mortes por sarampo ocorreram numa altura em que o número de casos aumentou globalmente, com surtos em todas as regiões.

A maioria das mortes ocorreu entre crianças menores de cinco anos. Bebés e crianças muito jovens correm maior risco de infeções por sarampo, com possíveis complicações, incluindo pneumonia e encefalite (inchaço/inflamação do cérebro), além de incapacidade ao longo da vida - dano cerebral permanente, cegueira ou perda auditiva.

Estudos publicados recentemente mostram que a contração do vírus do sarampo pode ter mais impactos para a saúde a longo prazo, danificando a memória do sistema imunológico por meses ou até anos após a infeção. Essa 'amnésia imunológica' deixa os sobreviventes vulneráveis a outras doenças potencialmente mortais, como gripe ou diarreia grave.

"O facto de qualquer criança morrer de uma doença evitável por vacina, como o sarampo, é francamente um ultraje e um fracasso coletivo em proteger as crianças mais vulneráveis do mundo", disse Tedros Adhanom Ghebreysus, diretor-geral da OMS.

"Para salvar vidas, precisamos garantir que todos possam beneficiar das vacinas - o que significa investir em imunização e assistência médica de qualidade como um direito para todos", acrescentou.

Existe vacina contra o sarampo, porém, as taxas de vacinação em todo o mundo estagnaram por quase uma década. A OMS e a UNICEF estimam que no ano passado 86% das crianças receberam globalmente a primeira dose da vacina através dos serviços de vacinação de rotina de seu país, mas menos de 70% receberam a segunda dose recomendada.

Em todo o mundo, a cobertura da vacina contra o sarampo não é adequada para evitar surtos. A OMS acredita que 95% da cobertura vacinal com duas doses da vacina contra o sarampo seja necessária em cada país e em todas as comunidades para proteger as populações da doença.

Estimando o número total de casos e mortes em todo o mundo e por região, o relatório constata que os piores impactos do sarampo ocorreram na África Subsaariana, onde muitas crianças ficam sem vacinação de forma persistente.

Em 2018, os países mais afetados - com maior taxa de incidência da doença – foram a República Democrática do Congo (RDC), Libéria, Madagáscar, Somália e Ucrânia. Estes cinco países foram responsáveis por quase metade de todos os casos de sarampo no mundo.

"Temos uma vacina segura e eficaz para o sarampo há mais de 50 anos", disse Robert Linkins, chefe do departamento de controlo de doenças e vigilância de doenças evitáveis por vacinas do CDC e presidente da Iniciativa contra o Sarampo e Rubéola.

“Estas estimativas lembram-nos de que todas as crianças, em todos os lugares, precisam - e merecem - esta vacina, que salva vidas. Precisamos de mudar esta tendência e parar estas mortes evitáveis, melhorando o acesso e a cobertura da vacina contra o sarampo”, disse.

Embora os maiores efeitos tenham sido registados nos países mais pobres, alguns países ricos também têm combatido surtos de sarampo, com ramificações significativas para a saúde das pessoas.

Este ano, os Estados Unidos registaram o maior número de casos em 25 anos, enquanto quatro países da Europa - Albânia, República Checa, Grécia e Reino Unido - perderam o estatuto de eliminação do sarampo em 2018, após prolongados surtos da doença. Esta situação ocorre quando o sarampo volta a um país após ter sido declarado eliminado e a transmissão é sustentada continuamente, naquele território, no país por mais de um ano.

A Iniciativa Sarampo e Rubéola (M&RI) - que inclui a Cruz Vermelha Americana, CDC, UNICEF, Fundação das Nações Unidas e OMS -, bem como Gavi Aliance (anteriormente chamada Aliança Mundial para Vacinas e Imunização), estão a ajudar os países a responder aos surtos de sarampo, por exemplo, com campanhas de vacinação de emergência

Além de imunizar rapidamente contra o sarampo, a resposta ao surto também inclui esforços para reduzir o risco de morte como o tratamento atempado, especialmente para complicações relacionadas com a doença como a pneumonia.

Com os seus parceiros, a OMS está a fornecer apoio para ajudar os países a gerir os casos, incluindo a formação a profissionais de saúde que cuidam de crianças que sofrem os efeitos da doença.

Além da resposta ao surto, há uma necessidade urgente de os países e a comunidade global de saúde continuarem a investir em programas nacionais de alta qualidade para imunização e vigilância de doenças, o que ajuda a garantir que os surtos de sarampo sejam rapidamente detetados e interrompidos antes que se percam vidas.

"É uma tragédia que o mundo esteja a assistir a um rápido aumento de casos e mortes por uma doença facilmente evitável com uma vacina", disse Seth Berkley, diretor executivo da Gavi Alliance.

“Embora a hesitação e complacência sejam desafios a serem superados, os maiores surtos de sarampo atingiram países com fraca rotina de imunização e sistemas de saúde. Precisamos fazer melhor para alcançar os mais vulneráveis e esse será um foco fundamental do próximo período de cinco anos da Gavi", afirmou.

Nos últimos 18 anos, estima-se que a vacinação contra o sarampo tenha salvado mais de 23 milhões de vidas.

As estimativas hoje divulgadas pela OMS apontam para 9,7 milhões de casos de sarampo em 2018 a nível mundial e 142.300 mortes relacionadas com a doença, mais do que no ano anterior, quando foram estimados 7,5 milhões de casos e 124.000 mortes.

Por geografias, em 2018, a OMS estima que na região africana houve 1,7 milhões de casos e 52.600 mortes; na região das Américas 83.500 casos, no Mediterrâneo Oriental 2,8 milhões de casos e 49.000 mortes, na Europa 861.800 casos e 200 mortes, no sudeste asiático 3,8 milhões de casos e 39.100 mortes e no Pacífico Ocidental 404.400 casos e 1.300 mortes.

Essas estimativas são o resultado da modelação estatística realizada pela OMS. A cada ano, o modelo é ajustado para toda a série temporal - de 2000 até ao ano atual.

Embora as estimativas forneçam uma indicação útil dos impactos do sarampo e das tendências de longo prazo, os casos relatados fornecem informações e comparações em tempo real.

Em 2018, houve um total de 353.236 casos reportados à OMS e este ano, até meio de novembro, já tinham sido reportados globalmente mais de 413.000 casos, com um adicional de 250.000, de acordo com as redes nacionais.

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