A ansiedade é um dos problemas mais frequentemente apontados quando se fala em perturbação psicológica. Ela está presente, sob várias apresentações, podendo manifestar-se em exclusividade ou misturada com outra sintomatologia que complexifica a sua abordagem. É também uma presença muito frequente na nossa vida do dia-a-dia, como reação direta a acontecimentos externos. Eu diria até que é a problemática psicológica mais falada e talvez aquela que, atualmente, é mais aceite do ponto de vista social. Por isso, corre o risco de ser banalizada e colocada em segundo plano, como se se tratasse de um desconforto com o qual temos de viver e que é incontornável. É sobre isso que este texto pretende tratar: sobre o papel da ansiedade, o seu impacto na nossa vida e bem-estar e que estratégias base nos podem ajudar em momentos de crise.

Está amplamente reportado o papel da ansiedade na nossa evolução e a sua função protetora ao longo da nossa existência. Ela é um mecanismo de alerta face ao perigo, cuja função é preparar-nos para responder-lhe de forma eficaz. Prepara-nos para a ação, quer isso signifique lutar, fugir ou escondermo-nos daquilo que nos ameaça. Muitas vezes este mecanismo, tão útil mas tão sensível, desregula-se e faz-nos reagir a estímulos que não consistem uma ameaça direta, mas apenas intuída ou imaginada. Ou então, quando a ameaça é bem real mas não a conseguimos enfrentar de forma produtiva, a ansiedade enrola-nos numa espiral que nos impede de funcionar.

Quem nunca dormiu mal na noite anterior a um acontecimento importante? Quem nunca sentiu as borboletas no estômago ou o pulsar intenso do coração imediatamente antes de desempenhar uma tarefa nova ou exigente? No entanto, a ansiedade também se disfarça de outras formas: a irritabilidade, a dificuldade de concentração, a inquietação e até a apatia são facetas menos comuns da ansiedade que têm, geralmente, um prejuízo importante no desenrolar da nossa vida quotidiana. E estas manifestações podem manter-se muito tempo depois de transposta a situação que conduz à ansiedade, como se ficássemos continuamente a funcionar dessa forma.

É importante ainda dizer que a ansiedade se pode manifestar de forma aguda, sob a forma de crise, ou estar presente de forma contínua, como se se tornasse parte da própria vivência da pessoa.

Nas crises graves de ansiedade podem acontecer fenómenos de desrealização ou despersonalização, que são períodos transitórios em que a pessoa, por causa da intensidade da ansiedade que está a experienciar, perde parcialmente o contacto consigo ou com a realidade em que está. Nesses momentos existe um conjunto de estratégias que são muito úteis para ajudar a pessoa a voltar a ter o controlo da situação, de forma a conseguir regular adequadamente a ansiedade:

1. Respiração diafragmática: A respiração diafragmática é um tipo de respiração profunda, com uma cadência lenta e expiração prolongada. Ficar simplesmente a respirar, concentrando-se nas características desta respiração é uma estratégia muito útil em situações de crise, para baixar o nível de ansiedade.

2. Repetir mentalmente uma frase ou afirmação securizante: Identificar a situação como ansiedade e saber que a ansiedade vai passar, ajuda a baixar a intensidade da crise.

3. Estratégias distractoras: Estas estratégias implicam, por exemplo, prestar atenção à realidade à sua volta, ancorando-se nela. Pode, por exemplo, contar quantas árvores consegue observar, se estiver na rua, ou enumerar objetos à sua volta, se estiver no interior.

4. Estratégias de auto-cuidado: Estas estratégias envolvem fazer alguma atividade que lhe traga conforto, como por exemplo, tomar um banho quente ou fazer uma massagem nas mãos.

Sobretudo, e tendo sempre em conta a presença normativa da ansiedade nas nossas vidas, não banalizar a sua desregulação e procurar ajuda para a resolver quando esta interfere com a qualidade de vida e funcionalidade da pessoa.

Catarina Janeiro - Psicóloga Clínica

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