Estes anticorpos incluem o anticoagulante lúpico, o anti-cardiolipina e o anti-beta-2-glicoproteína que vão interferir com o processo de coagulação sanguínea, sendo responsáveis pela formação, de modo recorrente, de coágulos de sangue nas veias ou nas artérias que podem originar lesões nos tecidos e órgãos.

Estão identificadas três tipologias de Síndrome Antifosfolipídico: primário, secundário e catastrófico. Os pacientes considerados primários não apresentam qualquer outra doença associada. A forma secundária encontra-se associada a outra doença autoimune, como o lúpus eritematoso sistémico ou a uma infeção viral. No lúpus eritematoso sistémico, cerca de 35 a 40% dos pacientes apresentam autoanticorpos antifosfolípidos. O Síndrome Antifosfolipídico catastrófico é uma manifestação séria e muitas vezes fatal, caracterizada por enfartes múltiplos em órgãos. Ocorre em menos de 1% dos doentes e requer uma intervenção rápida, dado que provoca falência multiorgânica súbita.

O Síndrome Antifosfolipídico ocorre geralmente em jovens e em jovens adultos, mas pode estar presente em crianças e em pessoas idosas. A prevalência é maior nos indivíduos de raça negra. O predomínio no sexo feminino decorre da sua associação com o lúpus eritematoso sistémico e outras doenças do tecido conjuntivo, que também apresentam um predomínio nas mulheres. Os autoanticorpos antifosfolípidos são encontrados em 1 a 5% da população saudável. Os autoanticorpos anti-cardiolipina são mais frequente- mente encontrados nos idosos.

Um paciente diagnosticado com esta doença autoimune etrombofílica, poderá sofrer apenas um único episódio trombótico ou ter múltiplos eventos. A doença corresponde a cerca de 20% das tromboses recorrentes em jovens e a 15% dos casos de perdas fetais recorrentes.

Quando ocorre no período gestacional, pode originar complicações obstétricas como pré-eclâmpsia, abortos de repetição, descolamento da placenta ou estar associado ao síndrome de HELLP, hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos), elevação das enzimas hepáticas e plaquetas baixas.

Os sintomas associados diferem de paciente para paciente e em cada episódio trombótico:

  • Coração e vasos sanguíneos - ataques cardíacos, complicações nas válvulas cardíacas e coágulos nas câmaras superiores do coração;
  • Sistema nervoso - acidente vascular cerebral (fala arrastada ou dificuldade de compreensão ou formar palavras, alteração na visão ou fraqueza num dos lados do corpo), movimentos bruscos involuntários dos braços ou das pernas (coreia) e demência;
  • Pulmão - Os coágulos sanguíneos no pulmão podem causar dor no peito e respiração rápida e podem conduzir a hipertensão pulmonar, originando uma constante sensação de falta de ar.

Por Maria José Rego de Sousa, Médica, Doutorada em Medicina, Especialista em Patologia Clínica

Maria José Rego de Sousa, Médica, Doutorada em Medicina, Especialista em Patologia Clínica

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