A Síndrome das Pernas Inquietas é uma doença crónica e progressiva com impacto importante na qualidade de vida dos doentes. Alguns doentes descrevem-na como uma espécie de "agonia nas pernas", "comichão nos ossos" ou "alfinetadas", por exemplo.

Também designada doença de Willis-Ekbom, trata-se de um distúrbio neurológico do sono. "Apesar da elevada prevalência, esta síndrome permanece ainda sub-diagnosticada e sub-tratada", explica Bruno Santos, médico pneumologista, num artigo de revisão científica publicado na "Acta Médica Portuguesa", a revista científica da Ordem dos Médicos.

A incidência desta síndrome é incerta, com estudos a sugerir valores entre os 0,1% e os 15,3%. No entanto, essa prevalência tende a aumentar com a idade. Trata-se de uma condição crónica, que não se pode prevenir e para a qual não existe cura. É mais comum em mulheres grávidas, sobretudo nos últimos três meses de gravidez. Em alguns casos, os sintomas podem persistir depois do parto.

No entanto, esta doença é muitas vezes subdiagnosticada, frisa o referido especialista, que cita dados de um estudo realizado em França que estima que apenas 5% a 13% dos casos sejam detetados.

Dois tipos

Existem dois tipos desta patologia, mas o mais comum é o primário, sem causa identificável e, provavelmente, com causa genética. Este tipo tende a ser crónico. Com o passar do tempo os sintomas pioram e tornam-se mais frequentes. O tipo secundário é causado por outra doença ou por alguns medicamentos e, geralmente, os sintomas desaparecem com o tempo.

Quais as causas?

As causas mais comuns desta síndrome são a gravidez, a insuficiência renal terminal e a anemia por carência de ferro. Outras doenças que se associam a esta síndrome são a diabetes, a doença de Parkinson e artrite reumatoide. Por outro lado, existem fatores agravantes, como o álcool, a nicotina, o café e alguns medicamentos, como os antipsicóticos, antidepressivos e alguns anti-histamínicos, frisa o médico Bruno Santos.

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Como se manifesta?

Os sintomas pioram durante noite, com movimentos involuntários dos pés, dedos e pernas. Essa inquietação pode ser falsamente interpretada como nervosismo.

Cerca de 80% das pessoas com esta síndrome apresentam movimentos periódicos dos membros durante o sono que tendem a ocorrer a cada 20 ou 30 segundos durante a noite, afetando a qualidade do sono. Por isso, os doentes sentem-se mais cansados e sonolentos durante o dia, com maior irritabilidade, problemas de concentração e memória, mais exposição ao stress e sintomas de depressão.

Como se trata?

Quem tem esta doença deve tentar fazer uma boa higiene do sono - encontrar o melhor horário para dormir e tentar mantê-lo todos os dias, dormindo o mesmo número de horas. Deve, também, ter atividade física regular, fazer massagens e banhos quentes, evitar estimulantes como a cafeína, tabaco e álcool bem como o uso de medicamentos que agravam os sintomas.

Apesar desta doença não ter cura, existem diversos medicamentos que podem ser úteis no tratamento, nomeadamente na diminuição dos sintomas. A sua seleção deverá ser sempre feita pelo médico, em função de cada caso. "Algumas das classes de medicamentos com interesse são os agentes dopaminérgicos, os opioides, os anticonvulsivantes e as benziodiazepinas", frisa Bruno Santos na supracitada revisão científica.

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