Mais óbvios ou subtis, o nosso corpo emite sinais que funcionam como avisos de possíveis problemas de saúde que não devem ser ignorados.

O que julga ser o resultado de esforços exagerados ou um simples mal-estar provocado por dias de stress, em que descansou pouco e se alimentou mal, pode esconder sintomas que exigem cuidados médicos. Ou não.

Saber detectá-los ajuda a estar alerta, sem cair em exageros, e a prevenir doenças. Com o auxílio do diagnóstico médico, descodifique as mensagens do organismo e descubra quando existem, realmente, razões para alarme.

1. Dor de cabeça forte e persistente

Pode ser apenas stress ou talvez sinal de alterações hormonais. As mulheres são as principais vítimas afectadas pelo problema, sem que, por vezes, consigam descobrir a causa. Maria Ivone Cruz, médica de clínica geral,indica que «na maioria dos casos, as dores de cabeça são enxaquecas provocadas por stress».

Optar por uma vida mais tranquila é o melhor antídoto. A médica aconselha, no entanto, «a procurar o apoio médico, caso a dor seja contínua». A par do stress, acrescenta, «o ciclo menstrual e as alterações hormonais também podem justificar as dores».

2. Dor intensa, cãibra e edema na perna

Pode ser apenas esforço ou talvez sinal de tromboflebite. Embora quem sofra de varizes identifique estes sintomas e a sensação de peso nas pernas, em especial ao fim do dia, a dor intensa acompanhada de cãibra e edema denuncia outros problemas, explica Maria Ivone Cruz: «Pode ter origem no esforço ou traumatismo resultado, por exemplo, de caminhadas. O mais preocupante é quando o edema e a dor na perna são de origem inflamatória, no caso de uma tromboflebite (formação de coágulo no interior da veia).»

«Pessoas que foram submetidas a cirurgias, que se encontram na cama por longos períodos de tempo e que permanecem imóveis em viagens prolongadas de avião são propensas a sofrer deste problema. Requer exames complementares e observação médica», conclui.

3. Sono e fadiga constante

Pode ser apenas cansaço ou talvez sinal de apneia do sono, hipotiroidismo ou anemia. Se, por mais que descanse, não se liberta da sensação de cansaço e sonolência, existem vários distúrbios que explicam a fadiga constante.

A médica de clínica geral aconselha «sempre a observação médica, uma vez que tanto pode ser má oxigenação cerebral, devido à apneia do sono (paragens constantes da respiração ao dormir), hipotiroidismo, um distúrbio da glândula da tiróide, ou uma anemia crónica».

4. Tosse persistente

Pode ser apenas alergia ou talvez sinal de doença pulmonar obstrutiva crónica. Habitual em certas fases do ano, a tosse é um sinal que não deve ser negligenciado. Para determinar a origem é preciso perceber, revela a médica, «se é fumador, asmático, sofre de alergias ou se tem uma doença profissional. Mesmo que não se insira nestas situações, será sempre necessário um exame ao tórax».

Se estiver em causa a doença pulmonar crónica obstrutiva, em que existe dificuldade de circulação do ar, deve ser supervisionada por um médico. «Pode ser de dois tipos: bronquite crónica e enfisema. Existem tratamentos que ajudam a aliviar os sintomas e evitar complicações», alerta. A médica lembra ainda que «o tabagismo é o grande responsável por esta doença, bem como pelo cancro no pulmão, da boca e da garganta».

5. Perda de sangue

Pode ser apenas menstruação ou talvez sinal de doença crónica. A perda de sangue, excluindo a menstruação, merece a preocupação e exige observação médica. Como refere Maria Ivone Cruz, «geralmente, é provocada por problemas no tubo digestivo, mas também no sistema urinário. A existência de sangue vivo ou escuro nas fezes indica que a origem é do tubo digestivo». E pormenoriza: «As fezes com sangue vivo ou escuro podem ser o único sinal de um pólipo no cólon; se forem mais acastanhadas, o problema poderá ser no sistema gastrointestinal superior (esófago, estômago e intestino delgado). Precisa de ser esclarecido com exames médicos. No caso do problema ser no sistema urinário, poderá indicar uma lesão renal ou ser o sinal de aviso precoce de várias doenças crónicas».

6. Dor no peito

Pode ser apenas ansiedade ou talvez sinal de problemas cardíacos. Mensageira de vários problemas, a dor no peito, esclarece Maria Ivone Cruz, «tanto pode ser uma crise ansiosa ou problemas cardíacos. É importante ter atenção à sua duração, à intensidade, aos antecedentes pessoais e outras doenças que a pessoa possa ter». Este sintoma é sempre mais preocupante quando «não tem havido vigilâncias clínicas», confirma.

7. Pés ou mãos dormentes

Pode ser apenas falta de movimento ou talvez sinal de acidente vascular cerebral (AVC). Quantas vezes já acordou e sentiu que as mãos ou os pés parecem inactivos, mas cuja sensação desaparece com movimentos? Se nestas circunstâncias não existe motivo para preocupação, o mesmo não acontece quando a sensação se mantém sem qualquer motivo aparente. A médica de clínica geral considera que «deverá ser excluída uma doença neurológica. A maior parte dos casos trata-se de problemas radiculares por compressão das raízes nervosas, devido a alterações degenerativas das articulações, que incomodam e são incapacitantes».

Se a sensação de dormência atinge um dos lados do corpo, a situação torna-se preocupante: pode ser um aviso de AVC, a principal causa de morte em Portugal. «Se sentir dormência, confusão mental, dificuldade em articular palavras ou de raciocínio, dor de cabeça intensa e boca de lado ligue imediatamente o 112. São os principais sinais de AVC. O facto de serem detectados a tempo pode salvar vidas», alerta.

8. Perda súbita de peso e apetite

Pode ser apenas stress ou talvez sinal de diabetes, depressão, cancro. Descer o ponteiro da balança é sempre uma boa notícia para quem tem excesso de peso e se submeteu a uma dieta, mas pode tornar-se uma dor de cabeça para as pessoas que não encontram explicação para o fenómeno.

Quando a perda de peso não é intencional e não resulta de distúrbios alimentares como a anorexia ou bulimia, pode, adverte a médica de clínica geral, «revelar diabetes, depressão, hipertiroidismo, insuficiência cardíaca, distúrbio nutricional ou cancro. É muito importante uma consulta médica para procurar as causas».

9. Aumento abrupto de peso

Pode ser apenas retenção de líquidos ou talvez sinal de doença da tiróide. Se notar um aumento de peso considerável num espaço de apenas um ou dois dias, a causa pode ser retenção de líquidos. Muitas mulheres apercebem-se que os seios e cintura incham por retenção de líquidos nos dias que antecedem ao início do período menstrual.

Contudo, avisa a médica, «a retenção de líquidos também pode significar insuficiência cardíaca. Este sintoma pode manifestar-se igualmente na zona do abdómen». Alterações de peso constante indiciam sempre «problemas crónicos: doença da tiróide, um problema nutricional ou de um distúrbio alimentar», realça.

10. Corrimento vaginal

Pode ser apenas ciclo menstrual ou talvez sinal de candidíase vaginal. A quantidade e a consistência do muco vaginal sofrem alterações ao longo do ciclo menstrual e da própria vida da mulher. Antes da ovulação, torna-se mais transparente e elástico. Durante a gravidez, é mais espesso e, à medida que a mulher envelhece e os níveis de estrogénio baixam, como na menopausa, a sua produção diminui.

Maria Ivone Cruz avisa que «a alteração da consistência, cor e cheiro podem revelar um problema ginecológico. Neste caso, deverá ser realizado um exame ginecológico e clínico e, apenas se se justificar, exame laboratorial». Um corrimento espesso e branco é, exemplifica, «um sinal de candidíase vaginal, comum nas mulheres entre os 20 e os 40 anos».

11. Manchas e alterações na pele

Pode ser apenas stress, poluição ou talvez sinal de exposição solar excessiva, cancro. Uma pele baça e sem brilho é sinal de que algo errado se passa com o organismo, mas também poderá ser manifestação de cansaço ou má alimentação. Quando a tez apresenta manchas, as causas tanto podem ser, esclarece a médica, «reacção à poluição ambiental, ao stress, intolerância a certos cosméticos, exposição solar excessiva ou fungos. Situações facilmente tratáveis».

O mais inquietante – adverte – «são as alterações morfológicas de sinais pré-existentes. Se mudarem de cor, de tamanho, se alterar a forma, se se apresentarem rugosos ou pruriginosos, ou seja, que provocam comichão».

Texto: Fátima Lopes Cardoso com Maria Ivone Cruz (médica de clínica geral)

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.