Os investigadores da Universidade de Drexel, em Filadélfia, nos Estados Unidos, provaram que os resíduos químicos do tabaco permanecem nas roupas e paredes interiores de edifícios durante vários anos.

Segundo o estudo, estas substâncias podem ser absorvidas pela pele, inaladas ou até ingerida décadas depois do fumo se ter dissipado.

O estudo foi publicado esta semana na revista científica Science Advances. "Isto mostra que, só porque estamos num ambiente não-fumador, não significa que não estejamos expostos ao tabaco", comenta Peter DeCarlo, especialista em química atmosférica e autor principal do artigo.

"Aquele carro onde entrou, aquele hotel onde esteve hospedado ou até a sala de aula onde não é permitido fumar há década podem estar sujeitos à presença de inúmeras substâncias", diz o investigador.

A descoberta aconteceu por acaso

Um estudante estava a investigar químicos presentes nas paredes de uma sala da universidade e descobriu um composto que não conseguia identificar. Tratava-se de resíduos de nicotina e fumo de tabaco. 

Segundo o estudo, o ar condicionado pode favorecer esta terceira dimensão do consumo de tabaco, ao espalhar os químicos tóxicos do tabaco através dos sistemas de ventilação.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo de tabaco, na Europa, é responsável por um milhão e 200 mil mortes anuais, número que tende a ascender aos dois milhões. Em Portugal, o consumo de tabaco atinge cerca de 20 a 26% da população, com predomínio de três homens e meio para cada mulher.

As doenças cardiovasculares são 2 a 4 vezes mais frequentes nos fumadores. Deixar de fumar é, pois a medida preventiva mais eficaz para diminuir os riscos de enfarte do miocárdio, angina de peito, doença arterial periférica e acidente vascular cerebral, para além de vários tipos de cancro.

Um cigarro contém cerca de 4.000 substâncias com efeitos tóxicos e irritantes, 70 das quais mencionadas como cancerígenas.