Em entrevista ao SAPO Moçambique, por ocasião, do Dia da Mulher Africana, que hoje se assinala, Mangia disse que as sociedades devem esgrimir-se em prol da liderança feminina, um conceito que considera em reconstituição, visto que, no passado, as mulheres africanas gozavam de igualdade de oportunidades.

“Antes do colonialismo, tínhamos as nossas raínhas, que participavam dos conselhos dos reis e também tomavam decisões, agregando valor. É, por isso, necessário que se volte a descentralizar o poder”, afirmou, destacando que a reconstituição das oportunidades deve ser a todos os níveis.

“É preciso lembrar que as mulheres participaram do processo de libertação dos seus países, lutando juntamente com os homens, quando estavam sob dominação colonial. Em Moçambique, temos o exemplo do destacamento feminino, fundado pelo primeiro Presidente da República, Samora Machel”, disse.

Mangia reconhece, entretanto, que a erradicação das desigualdades, pode levar algum tempo, devido aos preconceitos e barreiras socioculturais que oprimem a mulher, muitas vezes incutidos no seio familiar.

“Estamos empenhadas em derrubar os tabus e acredito que, se fizermos isso, vamos conquistar mais espaço e reconstituir o nosso direito, que infelizmente foi ofuscado pelas barreiras socieconómicas, educativas e culturais”.

A activista aposta na persistência, para que a socidedade deixe de considerar o poder como algo meramente masculino e não uma questão humana.

“Nunca desistam! A nossa marcha deve ser contínua, até que todas sejamos livres. Cada mulher deve valorizar as conquistas do dia-a-dia e disseminar o conhecimento, para que seja replicado, em prol do nosso desenvolvimento”, aconselhou.

A união entre as mulheres é outro aspecto que, para Mangia, pode conduzir à vitória das mulheres nesta causa.

“Eu me espelho em cada conquista [das mulheres] e, na minha experiência como activista, algo que me deixa feliz é perceber que, a cada dia, há mais mulheres a gozarem de liberdade, sem nenhum preconceito”.

Licenciada em Gestão e Estudos Culturais, pelo Instituto Superior de Artes e Cultura Mangia Macuácua é defensora da igualdade de género, desde 2009, como membro do Movimento das Jovens Feministas de Moçambique e da Young African Daily Feminist, entre outros.

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